GONZAGA - DE PAI PARA FILHO

GONZAGA - DE PAI PARA FILHO

(Gonzaga - De Pai Para Filho)

2012 , 130 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 26/10/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Breno Silveira

    Equipe técnica

    Roteiro: Patrícia Andrade

    Produção: Breno Silveira, Eliana Soárez, Marcia Braga

    Fotografia: Adrian Teijido

    Trilha Sonora: Berna Ceppas

    Estúdio: Conspiração Filmes, Globo Filmes, Teleimage

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme

    Elenco

    Adelio Lima, Alison Santos, Cecília Dassi, Chambinho do Acordeon, Cláudio Jaborandy, Cyria Coentro, Domingos Montagner, Giancarlo di Tomazzio, João Miguel, Júlio Andrade, Land Vieira, Luciano Quirino, Nanda Costa, Olivia Araújo, Silvia Buarque, Zezé Motta

  • Crítica

    25/10/2012 15h46

    Quando se pretende fazer cinebiografia não se deve querer que cobra engula elefante. Explico: o réptil é o filme, que tem limitações de tamanho por questões comerciais. O grande mamífero é o biografado, cuja história de vida, como qualquer históiria de uma vida, não pode ser sintetizada em duas horas. Billy Wilder disse certa vez que o cinema “era a arte de fazer escolhas”. A frase cai como luva quando se trata de contar a trajetória de alguém real nas telas.

    A boa notícia para o espectador brasileiro é que o diretor Breno Silveira, que há sete anos acertou a mão com o longa 2 Filhos de Francisco, não tenta fazer cobra devorar elefante. Em Gonzaga - De Pai para Filho, desvia inteligentemente das cinebiografias convencionais e aposta num fragmento da vida de Luiz Gonzaga com forte carga dramática: a relação conturbada do Rei do Baião com o filho, o também artista Gonzaguinha.

    Decisão mais que acertada e muito bem engendrada pelo roteiro de Patrícia Andrade, parceira de Silveira e dona de habilidade para construir histórias como o diretor gosta: carregada de emoção, mas sem apelos fáceis e artificialismos dramáticos. Produções cuja força emocional vem da eficiente construção de personagens e de um arco dramático bem desenvolvido. E isso Patrícia já provou que faz bem.

    O fio condutor de Gonzaga são fitas com gravações originais de uma longa discussão entre pai e filho. Tensa conversa que Gonzagão e Gonzaguinha travaram nos anos 80, espécie de acerto de contas entre os dois. Esse drama pessoal se mistura à trajetória musical de Luiz Gonzaga e permite compreender também como aflorou a veia rebelde de Gonzaguinha, expressa em suas músicas.

    A trama começa em 1981, mostrando um já famoso Gonzaguinha recebendo a visita da então esposa de Luiz Gonzaga, Helena, nos bastidores de um show. Hesitante, a mulher pede que ele visite o pai, argumentando que Gonzaga precisa de sua ajuda. Há anos os dois não se veem e Gonzaguinha recusa a princípio. Ato-contínuo, vemos a Brasília do cantor chegando à casa do pai em Exu. Ele muda de ideia e vai encontrar Gonzaga para ajudá-lo, mas também confrontá-lo. Do encontro, de onde se originaram as gravações, Gonzaga – de Pai para Filho faz incursões ao passado, revelando a trajetória de Luiz Gonzaga e como, ao longo dos anos dedicados à carreira, ele distanciou-se do filho até que, entre os dois, passasse a existir um abismo.

    Apesar de usar os ressentimentos entre a dupla como ponto de partida, o longa não deixa de lado elementos básicos necessário a uma cinebiografia em busca do grande público. Temos a apresentação do personagem, a descoberta do talento, as dificuldade pelo caminho, o sucesso e a redenção final, tudo muito bem encadeado e linearmente desenvolvido para não causar quaisquer tipos de estranheza ao público médio.

    Destacam-se no filme o músico Chambinho do Acordeon, que, mesmo sem experiência dramática, dá vida a um Luiz Gonzaga convincente entre os 27 e 50 anos, e Julio Andrade, o interprete de Gonzaguinha dos 35 aos 40 anos. O trabalho de caracterização de ambos é excelente, mas no caso de Andrade vale ressaltar o impressionante desempenho cênico do ator, que de fato incorporou seu personagem nos mínimos detalhes.

    Gonzaga - De Pai para Filho peca um pouco por excessos eventuais no uso da música incidental para marcar a emoção em certas cenas. Quando isso acontece há redundância já que o momento, forte o suficiente emocionalmente, dispensava o recurso. Detalhe num filme redondo, que não arrisca, mas que atinge com êxito seu propósito: chegar ao grande público com a tocante história de um dos maiores artistas populares brasileiros.

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