Poster nacional

GRANDES OLHOS

(Big Eyes)

2014 , 106 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/01/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tim Burton

    Equipe técnica

    Roteiro: Larry Karaszewski, Scott Alexander

    Produção: Larry Karaszewski, Lynette Howell, Scott Alexander, Tim Burton

    Fotografia: Bruno Delbonnel

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: Electric City Entertainment, Silverwood Films, Tim Burton Productions, Weinstein Company, The

    Montador: JC Bond

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Aaron Craven, Adam Reeser, Alan MacFarlane, Alex Anstey, Amy Adams, Amy Esterle, Andrea Bucko, Andrew Airlie, Ariel Hart, Barclay Hope, Bomber Hurley-Smith, Bulat Nasibullin, Casey T. Evans, Christina Myers, Christine Reade, Christoph Waltz, Connie Jo Sechrist, Danny Huston, David Edward, David L. Schormann, David Milchard, Delaney Raye, Desiree Zurowski, Dwight Taylor, Dyendis Davis-Jones, Dylan Kingwell, Elisabetta Fantone, Eliza Norbury, Emily Bruhn, Emily Fonda, Farryn VanHumbeck, Fiona Vroom, Guido Furlani, Heather Doerksen, Ian Paterson, Jaden Alexander, James Saito, Jason Schwartzman, Jill Morrison, Jock Armour, Joe Bravo, Jon Polito, Julie Johnson, Kari-Ann Wood, Krysten Ritter, Kurt Cotton, Laryssa Troniak, Lear Howard, Leela Savasta, Madeleine Arthur, Matthew Hoglie, Matthew Kevin Anderson, Michael A. Lilly, Norman Krüsmann, Oliver Drawson, Peter Dwerryhouse, Peter Kelamis, Pomaika'i Brown, Raj K. Bose, Ran Wei, Rick Mischke, Robert Gagne, Ryan Else, Sandy Ritz, Scotty Wood, Stephanie Bennett, Steven Wiig, Terence Stamp, Thomas Potter, Tony Alcantar, Tony Grat, Traci Toguchi, Travis michael Myers, Vanessa Ross

  • Crítica

    29/01/2015 15h19

    Por Daniel Reininger

    Grandes Olhos, cinebiografia da artista norte-americana Margaret Keane dirigida por Tim Burton, não tenta ser realista e talvez Burton nem consiga mais fazer isso (mesmo se quisesse). O roteiro toma diversas liberdades e se afasta dos fatos para contar a bizarra história de como Walter Keane, marido da artista, a transformou em escrava e assumiu a autoria por seu trabalho numa época na qual mulheres artistas eram vistas com desconfiança. O tom artificial e cômico funciona bem por boa parte do longa, mas cria problemas sérios mais perto do final, quando o lado dramático toma conta.

    Para quem não conhece a pintora, ela é criadora de obras de crianças caracterizadas pelos olhos grandes e desproporcionais, fator que a transformou em relativa febre nos EUA dos anos 60. Provavelmente você já viu alguma imagem criada por ela, afinal Margaret foi uma das primeiras artistas a vender sua arte em massa com sucesso. Só que a sua história é muito mais sombria do que a de uma mulher tentando achar seu espaço em meio à sociedade machista dos anos 1950.

    Como esperado, o roteiro possui forte tom feminista, mas logo fica claro que esse aspecto é secundário, afinal o texto foca mais no relacionamento conturbado do casal de protagonistas. Curiosamente, esse mesmo relacionamento é mal explorado e pouco se sabe dos dois além do básico que uma pesquisa no Wikipédia poderia revelar. Burton, basicamente, cria uma história para entendermos claramente quem é a mocinha e quem é o bandido, sem mostrar nuances ou desenvolver os personagens além desses estereótipos.

    A pacífica Margaret é interpretada de forma soberba por Amy Adams, uma das injustiçadas do Oscar 2015 ao ficar de fora da premiação. Capaz de dar profundidade a uma personagem com pouco espaço para ir além do raso roteiro, a atriz consegue capturar toda a tristeza e decepção da pintora com facilidade, embora seu papel seja, por padrão, introspectivo e a beleza de sua atuação está naquilo que não é dito. Já o exagerado e charmoso Walter é trazido à vida por Christoph Waltz, que interpreta um personagem patético e difícil de levar a sério, mas que funciona para o tom inicial da obra.

    Conforme a trama avança, o filme decide explorar aspectos mais sombrios da história e se perde. O tom cômico e irreal da trama causa sensação de constrangimento quando a narrativa tenta abordar de forma mais séria a questão psicológica da relação disfuncional do casal. O confronto entre Margaret e Walter perto do fim não funciona, graças ao seu tom exageradamente melodramático e Waltz, em péssimo momento, se torna nada mais do que um vilão de conto de fadas, ainda mais raso do que se mostrou até então.

    Tecnicamente bem feito, Grandes Olhos foge da estética exagerada do diretor e, embora chegue a abordar o lugar das mulheres e dos artistas no mundo, não explora esses aspectos como deveria. Com narrativa irregular, o longa se perde ao não saber se pretende ser uma comédia ou drama, e a presença de personagens como o "dono da galeria rival" ou o "crítico de cinema carrancudo" são estereótipos que funcionam bem apenas com o lado mais engraçadinho da trama, mas que ficam deslocados quando esta fica séria. O filme funciona melhor quando explora a noção da arte produzida em massa, especialmente quando Burton usa o filme como reflexo de sua própria carreira. Pena que esses momentos sejam escassos.

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