HABEMUS PAPAM

HABEMUS PAPAM

(Habemus Papam)

2011 , 102 MIN.

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 16/03/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nanni Moretti

    Equipe técnica

    Roteiro: Federica Pontremoli, Francesco Piccolo, Nanni Moretti

    Produção: Domenico Procacci, Jean Labadie, Nanni Moretti

    Fotografia: Alessandro Pesci

    Trilha Sonora: Franco Piersanti

    Estúdio: Fandango, France 3 Cinéma, Sacher Film

    Distribuidora: Vinny Filmes

    Elenco

    Franco Graziosi, Jerzy Stuhr, Leonardo Della Bianca, Margherita Buy, Michel Piccoli, Nanni Moretti, Renato Scarpa

  • Crítica

    14/03/2012 20h00

    Os imponentes edifícios, a decoração suntuosa, os trajes elegantes e o ritual fúnebre de um Papa - seguido de uma cena na qual cardeais rumam orando, em fila, para o conclave - podem levar o espectador de Habemus Papam a pensar estar diante de um filme sério sobre os bastidores da eleição de um sumo pontífice. Pouco tempo depois, no entanto, a impressão está desfeita. O filme de Nano Moretti abre-se para o humor com cardeais suplicando ao Senhor para não serem escolhidos e outros esticando o pescoço para ver o voto do colega ao lado.

    Do lado de fora, a cena que todos conhecem bem: aglomerados na praça de São Pedro, uma multidão de de fiéis e a imprensa aguardam ansiosamente pelo surgimento da fumaça branca na chaminé da basílica, anunciando que o novo Papa foi, enfim, escolhido. Mas e se o eleito não se sentir preparado para o cargo? Este é o conflito que serve de base para Habemus Papam se enveredar por uma série de situações em que problemas mundanos invadem com bom humor o taciturno universo do Vaticano.

    Diante da inesperada crise de pânico do Papa, que deixa seus colegas cardeais em uma situação bastante desconfortável - eles não podem dar ao povo nenhuma satisfação até que o impasse seja resolvido - Moretti, também autor do roteiro, cria diversas situações cômicas, como uma sessão de psicanálise para o pontífice (acompanhada por um círculo de curiosos) e um campeonato de vôlei disputado pelos cardeais.

    Moretti também é sarcástico por vezes. Em determinada cena, o pontífice recém-eleito (Michel Piccoli) precisa mentir acerca de sua profissão. Ele hesita, coça a cabeça e responde: “Eu sou um ator”. Mais adiante, completa: “Eu sou um ator, mas estou cansado disso”. Fica clara a sátira do cineasta italiano às tradições e regras de conduta as quais os líderes da igreja católica estão presos.

    O filme é divertido, mas faltou a Moretti um pouco mais de cuidado com o roteiro e os elos entre episódios distintos. Coisas acontecem sem muita explicação ou contexto e ficam em aberto, sem conclusão. Por exemplo, Melville (o nome do Papa quando ele era um cardeal comum) se junta a um grupo de atores que está ensaiando uma peça de Tchecov sob um pretexto um tanto frágil. Fica com eles boa parte da última parte do filme sem que fique claro porque o grupo o acolheu tão bem.

    Moretti fez um longa bem-humorado a partir de suas observações e visão crítica do universo eclesiástico. Mas, ao final, quando o Papa finalmente decide que rumo tomar e como agir, fica claro que o filme não se aprofundou a contento no drama pessoal de seu protagonista e implicações da situação vivida por ele.


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