Habi, A Estrangeira

HABI, A ESTRANGEIRA

(Habi, A Estrangeira)

2013 , 92 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • María Florencia Álvarez

    Equipe técnica

    Roteiro: María Florencia Álvarez

    Produção: Hugo Sigman, Lita Stantic, Walter Salles

    Fotografia: Julián Apezteguia

    Estúdio: Kramer, Lita Stantic Producciones, VideoFilmes Produções Artísticas LTDA

    Montador: Eliane D. Katz

    Distribuidora: VideoFilmes

    Elenco

    Diego Velázquez, Lucía Alfonsín, Maria Luísa Mendonça, Martín Slipak, Martina Juncadella, Paloma Alvarez

  • Crítica

    10/11/2013 09h40

    Há diversas maneiras de relatar aquela famosa passagem entre a adolescência e a vida adulta, quase sempre acompanhada de fortes emoções e até decisões precipitadas. De todas as possibilidades existentes no cinema, a diretora María Florencia Álvarez fez questão de escolher uma das mais eficientes para seu drama Habi, A Estrangeira: a mais simples. Com roteiro redondo e direção despretensiosa, o longa acompanha o encontro entre sua protagonista e as consequências da vida que escolheu.

    Analia é uma jovem argentina prestes a assumir o salão de cabeleireiro de sua família, legado financeiro e vocacional construído por sua mãe, que deposita todas as esperanças possíveis em seu futuro. "Ela tem a mão boa". E tem mesmo. Mas o que ela tem mais ainda é vontade de viver a vida que escolheu, de qualquer que seja a natureza. Isso acontece quando ela vai a Buenos Aires entregar peças de artesanato a mando de sua mãe e descobre a culturalmente rica comunidade muçulmana, que a encanta profundamente. Agora Analia assume outra identidade e começa viver a vida que sonhou.

    Há algo de ingênuo no sonho de Analia em viver em outra realidade, destruindo as expectativas que sua família deposita no seu futuro. Encanta. Decidida e dedicada, ela representa o sonho de muitos jovens que tanto anseiam trilhar seu próprio caminho, se sentindo mais a vontade com seu sonho do que com sua realidade. Mas naturalmente, quando mal conduzida, a trajetória pode trazer prejuízos e sofrimento. Doce e mesmo bem-humorado, Habi, A Estrangeira é um retrato sobre como romper a fronteira entre os sonhos que se impõem e os que escolhemos para a vida.

    Aparte à bem sucedida imersão de uma jovem prestes a tomar as rédeas de sua própria vida, o longa de María Florencia Álvarez tem o bom gosto de levantar com leveza e simplicidade a sempre contemporânea discussão sobre o choque entre diferentes culturas. Sem contar o fato de que os "arroubos de rebeldia" de Anália, ou Habi, elegem justamente uma cultura cujos pilares mais conhecidos são envolvem a opressão feminina. O contraponto à hipotética virtude da protagonista é bem executado pela figura desastrosa de Margarita (Maria Luísa Mendonça), a brasileira radicada em Buenos Aires que vive em estado de guerra com seu namorado violento. Divertida.

    Com roteiro inteligente e direção que acerta exatamente quando se apropria da simplicidade para descrever a trama, Habi, A Estrangeira é um daqueles filmes cativam de início e mantém a empatia do público até o subir dos letreiros. Destaque para a atuação da jovem Martina Juncadella, que convence com sua protagonista meio inocente, meio destemida.

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