Pôster do filme Hannah Arendt

HANNAH ARENDT

(Hannah Arendt)

2012 , 113 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/07/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Margarethe Von Trotta

    Equipe técnica

    Roteiro: Margarethe Von Trotta, Pam Katz

    Produção: Bettina Brokemper, Johannes Rexin

    Fotografia: Caroline Champetier

    Trilha Sonora: André Mergenthaler

    Estúdio: Amour Fou Luxembourg, Heimatfilm, MACT Productions

    Montador: Bettina Böhler

    Distribuidora: Esfera Filmes

    Elenco

    Axel Milberg, Barbara Sukowa, Claire Johnston, Friederike Becht, Gilbert Johnston, Harvey Friedman, Janet McTeer, Julia Jentsch, Klaus Pohl, Megan Gay, Michael Degen, Nicholas Woodeson, Nilton Martins, Sascha Ley, Tom Leick, Ulrich Noethen, Victoria Trauttmansdorff

  • Crítica

    01/07/2013 12h11

    Por Daniel Reininger

    As ideias ousadas de Hannah Arendt sobre o nazismo são o fio condutor do novo filme de Margarethe Von Trotta. A diretora, conhecida por criar retratos de mulheres fortes, retorna ao tema para contar a história da imigrante judia que, após cobrir o julgamento do oficial da S.S. Adolf Eichmann, causou furor na comunidade judaica americana ao não defender cegamente o enforcamento do acusado.

    A cinebiografia da escritora não parece, a princípio, ser capaz de render material suficiente para um longa-metragem, afinal os conceitos defendidos por ela são interessantes, mas era preciso transformá-los em ideias atrativas para os espectadores. Essa difícil tarefa foi enfrentada também por O Mestre e, tanto o drama de Paul Thomas Anderson sobre a Cientologia, quanto Hannah Arendt, conseguem atingir esse objetivo com sucesso, graças às grandes atuações dos protagonistas; neste caso Barbara Sokuwa.

    O filme mostra como a pensadora, já famosa nos anos 1960 após a publicação do livro As Origens do Totalitarismo, chega ao conceito da Banalidade do Mal. Na teoria, a prática de maldades por certos indivíduos acontece sem consciência, desde que as ordens venham de níveis superiores.

    O conceito de pessoas agindo de acordo com regras do sistema ao qual pertencem sem racionalizar seus atos foi criado a partir do nazismo, mas continua atual. É possível traçar paralelos com a Guerra ao Terror, travada pelos Estados Unidos contra extremistas islâmicos, a situação na Palestina e, em menor escala, claro, até com o que aconteceu no Brasil recentemente durante a violenta repressão às manifestações de junho de 2013.

    Embora a discussão levantada seja interessante e renda bons diálogos, o ritmo lento, principalmente em seu início, pode não agradar a todos. A narrativa constrói vagarosamente a protagonista, desenvolve as relações interpessoais e posicionamento político antes de seguir a Israel para o julgamento. A cineasta procura ancorar as ideologias e lealdades da personagem antes de colocá-la no furacão que segue a publicação de seu artigo na revista New Yorker.

    O ponto de vista de Hannah é reforçado com o uso de imagens reais do julgamento. Esses recortes escolhidos a dedo pela diretora mostram Adolf Eichmann não como o monstro que todos julgavam ser, mas como um homem normal, um burocrata incapaz de usar a consciência para medir seus atos.

    A falha da obra está na apresentação de flashbacks sobre o romance da teórica com o filósofo Martin Heidegger (Klaus Pohl), simpatizante nazista e grande dilema moral da vida de Arendt. Essas cenas não acrescentam nada à trama e parecem perdidas na narrativa. Se esse recurso fosse melhor utilizado, poderia servir como contraponto para o discurso apresentado no restante do filme.

    Outro problema é a forma superficial como algumas figuras literárias históricas são representadas. Embora os diálogos sejam bons, certas atitudes nem sempre fazem sentido e alguns personagens ganham traços caricatos, principalmente quando se mostram extremistas tanto no apoio ou condenação de Hannah.

    Apesar desses problemas, a produção faz bom trabalho ao desvendar a vida dessa importante figura do século XX. O longa procura promover a discussão sobre ideologias e cria ótimas cenas inflamadas sobre o assunto. Entretanto, alguns espectadores podem ficar incomodados com a forma como alguns pontos são abordados, afinal a cineasta tem posição clara a respeito das teorias e deixa pouco espaço para interpretações diferentes.

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