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HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL

(Harry Potter and the Sorcerer's Stone, 2001)

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23/11/2001 00h00
por Celso Sabadin
Antes mesmo de estrear, Harry Potter e a Pedra Filosofal já era considerado um dos grandes filmes do ano. Talvez o maior. Seu mega-lançamento simultâneo mundial (mais de 130 países em apenas 15 dias) e seus números astronômicos já faziam prever que o filme se transformasse, num passe de mágica, numa das maiores bilheterias dos últimos tempos. E não por acaso. O personagem lançado pela escritora escocesa J.K. Rowling, em 1997, rapidamente se transformou num fenômeno do mercado editorial. Até o momento, a série de livros com o bruxinho Harry já vendeu mais de 100 milhões de exemplares em 46 idiomas.

A sempre delicada transformação livro-filme não decepcionou: um generoso orçamento de US$ 125 milhões e a colaboração direta da escritora no projeto cinematográfico fizeram de Harry Potter e a Pedra Filosofal, o filme, uma deliciosa viagem pelo mundo mágico dos bruxos e seres encantados. A caprichadíssima produção leva o espectador - de todas as idades - a vivenciar com entusiasmo ambientações das mais diversas, desde a singela estação de trem de Londres (onde uma estranha plataforma número 9 e ¾ serve de porta de entrada para o mundo dos bruxos), passando pelo super-elaborado Beco Diagonal (uma espécie de "Rua 25 de Março" medieval) e culminando com a incrível Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Mas as qualidades de Harry Potter e a Pedra Filosofal não param apenas no seu alucinante desenho de produção. Os atores mirins escolhidos para o filme dão banhos de interpretação, tanto o carente Rony (Ruper Grint) como a esperta Hermione (Emma Watson) e, claro, o personagem título, otimamente interpretado por Daniel Radcliffe, que também pode ser visto como filho de Geoffrey Rush em O Alfaiate do Panamá. Contrabalançando o elenco infantil, veteranas personalidades dos palcos e telas britânicas dão mais consistência ao casting. Entre elas, Richard Harris (professor Dunbledore), Maggie Smith (Professora McGonagall), John Hurt (Sr. Olivaras, o vendedor de varinhas mágicas) e John Cleese (Nick Quase Sem Cabeça).

A história, para quem não conhece, mostra Harry morando com um verdadeiro "gato borralheiro" debaixo da escada de seus cruéis tios. Ao completar 11 anos, é revelado finalmente seu glorioso destino: freqüentar a Escola Hogwarts, uma espécie de Harvard da bruxaria, onde ele poderá desenvolver todos os seus incríveis talentos mágicos.

A direção de Chris Columbis (o mesmo de Esqueceram de Mim) é convencional, porém competente. Não traz grandes arroubos de criatividade, mas consegue segurar a atenção da platéia durante as duas horas e meia de projeção. Um risco calculado, já que uma duração tão extensa nunca é recomendada para um filme infantil. Mas foi necessária para que as passagens mais conhecidas do livro não ficassem de fora e frustrassem os milhões de leitores.

Na cena final, quando Hermione diz que é "estranho voltar para casa", Harry decide: "Mas eu não vou para casa. Não mesmo." Claro que não! Todos eles estão retornando aos sets de filmagens, onde a esperada continuação já está sendo produzida antes mesmo da estréia do primeiro filme. Os produtores precisam ser rápidos para que o elenco infantil não cresça e para que o timming do sucesso não seja desperdiçado em alguma fenda mágica de algum castelo perdido pelo tempo.

19 de novembro de 2001
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Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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