HELENO

HELENO

(Heleno)

2010 , 116 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/03/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • José Henrique Fonseca

    Equipe técnica

    Roteiro: Felipe Bragança, Fernando Castets, José Henrique Fonseca

    Produção: Eduardo Pop, José Henrique Fonseca, Rodrigo Santoro, Rodrigo Teixeira

    Fotografia: Walter Carvalho

    Distribuidora: Downtown Filmes

    Elenco

    Alinne Moraes, Angie Cepeda, Duda Ribeiro, Erom Cordeiro, Henrique Juliano, Herson Capri, Orã Figueiredo, Othon Bastos, Rodrigo Santoro

  • Crítica

    29/03/2012 17h00

    A trajetória meteórica do craque do Botafogo Heleno de Freitas é quase um roteiro pronto para ser rodado. Advogado de formação, oriundo de família rica, viciado em éter, vaidoso e mulherengo o jogador era dono de um temperamento explosivo, o que lhe rendeu o apelido de Gilda (referência a intempestiva personagem de Rita Hayworth no longa de 1946). Sua breve e atribulada história, espécie de síntese dos craques que viriam nas décadas seguintes, chega aos cinemas num brilhante trabalho de interpretação de Rodrigo Santoro, que incorpora o ídolo morto precocemente aos 39 anos.

    Heleno é um filme de personagem. E produções assim se sustentam quase que inteiramente no trabalho do ator, que tem de ser perfeito. O diretor José Henrique Fonseca (O Homem do Ano) sabia disso e deu a Rodrigo Santoro a incumbência de ser o alicerce do filme. Mais que embasar, Santoro deu alma ao longa numa interpretação apaixonada e densa. Sem dúvida seu melhor trabalho no cinema até aqui. Ele mergulhou com competência na vida do craque e conseguiu viver o tipo malandro, controverso e temperamental com maestria.

    Fonseca, por sua vez, consegue captar de maneira delicada o personagem, equilibrando sua vida desregrada e de excessos com seus momentos de glória futebolística, tornando Heleno um personagem real na tela, com suas qualidades e defeitos. O que considero uma falha do roteiro foi não construir uma gênese mais completa de um tipo tão complexo. O filme não mostra sua infância, a mãe é mencionada num telefonema, não se tem ideia de como o garoto rico foi parar no futebol, suas motivações, enfim, quem era Heleno antes de ser Heleno. Outro problema está nas idas e vindas ao passado e presente do jogador, que podem se tornar um pouco confusas e exigem atenção do espectador.

    Ressalto que Heleno não é um filme sobre futebol nem voltado aos amantes da bola. A produção é centrada nas relações humanas e seus dramas cotidianos. O que se vê na tela é homem Heleno exposto nos momentos extremos de sua vida, dentro e fora das quatro linhas. Para suavizar, o filme tem bons momentos de humor. Destaco em especial uma cena na qual o treinador pede a Heleno para falar humildemente com os companheiros do grupo sobre suas mudanças para próxima temporada. Impagável.

    Captado em cores e depois passado para preto e branco – a fotografia é do premiado Walter Carvalho -, Heleno promove uma viagem no tempo, ainda mais porque usa algumas tomadas originais do Rio de Janeiro dos anos 1950. Apesar de deixar algumas lacunas em aberto, o filme resgata a contento parte da história de um dos maiores craques dos gramados do país. Rodrigo Santoro se destaca ainda mais no quarto final do filme, quando Heleno, extremamente fragilizado pela sífilis e já apresentando sinais de demência, definha internado num hospital psiquiátrico de Barbacena. Lá, morreria esquecido aos 39 anos.

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