HÉRCULES 56

HÉRCULES 56

(Hércules 56)

2006 , 99 MIN.

anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Silvio Da-Rin

    Equipe técnica

    Roteiro: Silvio Da-Rin

    Produção: Suzana Amado

    Fotografia: Jacques Cheuiche

    Trilha Sonora: Berna Ceppas

    Elenco

    Agonalto Pacheco, Claudio Torres, Daniel Aarão Reis, Flávio Tavares, Franklin Martins, José Dirceu, José Ibrahin, Manoel Cyrillo, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Mario Zanconato, Paulo de Tarso Venceslau, Ricardo Vilas, Ricardo Zarattini, Vladimir Palmeira

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É como se fosse o filme O que é isso, Companheiro?, só que de verdade. Assim pode ser - simploriamente - definido o documentário Hércules 56, estréia na direção de longas de Silvio Da-Rin. O filme documenta os fatos que envolveram o seqüestro do embaixador americano no Brasil, Charles Elbrick, em setembro de 1969. A concepção da idéia, a luta armada, a ação propriamente dita, a troca do diplomata por presos políticos e até a chegada destes mesmos presos ao exílio são assuntos levantados de forma criteriosa e minuciosa pelas pessoas que melhor podem falar sobre o tema: os próprios participantes.

    "Os protagonistas deste filme são os quinze presos levados ao México no avião Hércules da FAB, prefixo 56", diz Da-Rin. "Todos os nove sobreviventes foram entrevistados individualmente; os seis já falecidos comparecem por meio de materiais de arquivo. Para contemplar o seqüestro propriamente dito, promovi a reunião de alguns participantes da operação. Procurei Franklin Martins, Claudio Torres e Daniel Aarão Reis, os três membros da Direção da Dissidência da Guanabara, organização que idealizou o rapto e assumiu a sigla MR-8. Os dois primeiros participaram da operação de captura do embaixador", explica.

    Uma terceira linha narrativa é constituída por extenso material audiovisual de época, boa parte inédito no Brasil, pesquisado nos EUA, Cuba, França e México. As imagens da chegada dos presos ao México foram obtidas em agências noticiosas dos EUA e nunca haviam sido editadas numa uma única seqüência, como se vê no filme. Cenas de alguns personagens falecidos vieram de um filme anônimo de denúncia de torturas, que havia sido conservado por José Luiz Del Roio, em Milão. O ICAIC contribuiu com imagens de Cuba, entre elas as do desembarque dos brasileiros em Havana e a recepção por Fidel Castro. Outros personagens já desaparecidos apareciam em uma filmagem inédita feita em Roma por Hamilton dos Santos, enquanto a apresentação de cada um dos personagens foi visualmente unificada graças à série de fotos feitas pela polícia mexicana, logo após o desembarque dos brasileiros. A Cinemateca da UNAM também colaborou. No Brasil, e equipe do filme contou com o apoio do Arquivo Nacional, da Cinemateca do MAM-RJ, de José Carlos Avellar, dos arquivos públicos de São Paulo e Rio de Janeiro, da Iconographia, da Biblioteca Nacional, de personagens como José Dirceu e Mario Zanconato e, finalmente, de familiares de personagens já falecidos.

    Assim, o cineasta montou um painel testemunhal que conta com no mínimo dois grandes méritos: credibilidade e distanciamento crítico. Nada como conseguir documentar as vozes, olhares e expressões de quem realmente viveu as situações estampadas na tela. Nada como analisar os fatos com a consciência do tempo passado. Hércules 56 não faz a apologia juvenil dos ideais revolucionários nem perde tempo chovendo no molhado dos desmandos autoritários da época. Centradamente, ele recorda a ação, ao mesmo tempo em que se questiona e se autocritica à luz das quase quatro décadas que nos separam do seqüestro do embaixador.

    "Sempre me incomodou a representação dos revolucionários dos anos 60 nos filmes de ficção feitos até então, com raras e honrosas exceções, daí meu interesse em realizar este documentário" conta Da-Rin, ele próprio um ex-preso político. Captado em vídeo digital e transferido para película 35mm, Hércules 56 vem se juntar à atual leva de filmes que revisitam os anos de chumbo do Brasil, como Batismo de Sangue, O Ano que Meus Pais Saíram de Férias, Cabra-Cega, Quase Dois Irmãos e vários outros. Muita coisa? Não. Contar cinematograficamente para as novas gerações o que representou a ditadura militar em nosso país nunca é demais. Afinal, se até os dias de hoje um simples porteiro fardado se sente no direito da truculência, isso só acontece porque, de certa forma, todo aquele chumbo ainda não foi satisfatoriamente derretido.

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