HERÓI

HERÓI

(Ying Xiong/ Hero)

2002 , 96 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Yimou Zhang

    Equipe técnica

    Roteiro: Bin Wang, Feng Li, Yimou Zhang

    Produção: Bill Kong, Yimou Zhang

    Fotografia: Christopher Doyle

    Trilha Sonora: Tan Dun

    Elenco

    Daoming Chen, Donnie Yen, Jet Li, Maggie Cheung, Ziyi Zhang

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Herói é a prova, na prática, de que um filme pode encher os olhos do espectador de forma a se tornar uma experiência estética marcante para a vida inteira. O visual é, certamente, o destaque desta superprodução chinesa que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2003. Com brigas de espadas, lutadores voando e muitas locações naturais, a primeira referência que vêm à cabeça é O Tigre e o Dragão. Sim, os dois filmes podem ser colocados na categoria "superprodução de artes marciais", mas Herói está um passo a frente por ser mais maduro tanto na narrativa quanto esteticamente.

    Há milhares de anos, antes mesmo da Muralha da China ser erguida, essa nação era dividida em sete reinos. O Imperador da província de Qin (Daoming Chen) vive sob constantes ameaças de assassinato. Em uma outra província, três guerreiros são os que mais ameaçam a vida do governante: Neve Voadora (Maggie Cheung, de Amor à Flor da Pele), Espada Quebrada (Tony Leung Chiu Wai, par de Maggie no filme citado) e Céu (Donnie Yen). Quando um guerreiro sem nome (Jet Li) chega ao reino de Qin alegando ter matado os três inimigos do Imperador, ele consegue se aproximar da autoridade máxima para narrar sua história.

    O herói do título conta como conseguiu eliminar aqueles que conspiravam contra o Imperador. É aí que começa o verdadeiro espetáculo visual de Herói. Cada trecho da história contada pelo protagonista tem uma fotografia diferente - feita por Christopher Doyle, cujo talento nessa área já havia sido comprovado no espetacular Amor à Flor da Pele e em Geração Roubada. Quando nosso herói descreve a luta de Lua (Zhang Ziyi, de O Tigre e o Dragão) contra Neve Voadora em um bosque vermelho, por exemplo, enquanto folhas amarelas dançam entre as duas guerreiras, você tem vontade de simplesmente morrer ali mesmo, pensando que aquilo é o máximo de beleza que pode ver em qualquer filme. E sabe exatamente por que o cinema é chamado de Sétima Arte.

    Essa sensação, na verdade, é passada ao espectador não somente nesse trecho, mas em todos. A chuva de flechas, o treinamento da caligrafia na areia, a dança dos guerreiros com suas espadas, as gotas da chuva caindo. Cada segmento de Herói é um novo espetáculo visual. Em Sonhos, de Akira Kurosawa, um dos contos se passa dentro de uma pintura de Van Gogh. A impressão que dá em Herói é que nós mesmos entramos dentro de um quadro. A cada fotograma do filme.

    Herói, o filme mais caro feito na China, tem muito do pensamento e da cultura oriental. Para o guerreiro sem nome, por exemplo, o manejo da espada está intrinsecamente ligado ao de um instrumento musical, ou do desenho da caligrafia chinesa. A pureza de espírito, coragem e honra - características humanas exaltadas na cultura oriental - estão presentes no filme dirigido por Yimou Zhang, diretor que faz parte de uma geração de cineastas chineses cujo trabalho ficou marcado por ter sido feito pós-Revolução Cultural.

    Não à toa, foi o filme-sensação não somente na China, mas no mundo inteiro, por misturar artes marciais (que, certamente, está na moda) a um visual que deixa qualquer pessoa boquiaberta, no mínimo. Mesmo as que acham absurdas as lutas com coreografias ou os vôos dos guerreiros entre chuvas de folhas de árvores. Herói é uma das mais belas fábulas que o cinema já mostrou.

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