HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS

HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS

(Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos)

2009 , 90 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 12/03/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Halm

    Equipe técnica

    Roteiro: Paulo Halm

    Produção: Heloísa Rezende

    Fotografia: Nonato Estrela

    Trilha Sonora: André Moraes

    Distribuidora: Downtown Filmes

    Elenco

    Caio Blat, Daniel Dantas, Lucia Bronstein, Luz Cipriota, Maria Ribeiro

  • Crítica

    11/03/2010 19h09

    Zeca (Caio Blat) é um garotão mimado perto dos 30 anos que morre de medo de terminar seu livro, mostrá-lo ao mundo e descobrir que não é tão bom assim. Julia (Maria Ribeiro), sua mulher, sabe o que quer da vida. Em cima das oposições do casal e das inseguranças do herói se desenvolve Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos.

    Para quem está entrando na idade adulta com os dois pés, não é difícil se identificar com a essência do filme de Paulo Halm, que trabalha com questões como o medo de jogar com as regras do mundo real, fazer arte e submetê-la ao julgamento, assumir publicamente o gosto por poetas românticos, mas encher a estante de casa com Rubem Fonseca. Enfim, inseguranças naturais numa fase de transição, encruzilhada e afirmação.

    Só que a identificação não é a única coisa que segura um filme. É nítido que o longa de estreia de Halm, roteirista de cerca de vinte filmes, pretende ficar na fronteira entre o cool, leve e com frescor, e o existencialismo e suas questões sérias. Mas começo fazendo uma provocação sobre o herói do filme.

    O Zeca representa mesmo as agruras da geração que tem 30 anos hoje? Sinto que não. As referências literárias, o tipo de frustração de seu pai (Daniel Dantas) e a maneira que Halm dirige (abusando da narração em off e de uma música-tema que percorre diversos momentos do filme), dizem mais sobre quem tinha 30 anos na saída dos anos 80.

    Acho que, hoje, quem faz o tipo Zeca e está na encruzilhada da entrada na vida adulta, vive mais na dicotomia Clarah Averbuck/ Bukowski do que Rubem Fonseca/ Álvares de Azevedo. Vira e mexe, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos se parece com um filme que olhamos não como resultado do presente, mas como objeto de distância sobre um tempo que passou.

    A segunda provocação é sobre o desenvolvimento da história. Conservador em sua estrutura, o roteiro começa indicando que ali virá um filme sobre um personagem que leva suas questões a sério. A primeira virada, após a devida apresentação, é quando surge Carol (Luz Cipriota), uma estonteante argentina que vai abalar a relação do casal.

    Então, o longa entra por uma rodovia esburacada para abandonar o “filme existencialista” e se tornar “filme romântico”. Por ter sido encaixado de maneira pouco sutil, e pela demora em voltar ao ponto inicial, parece um esforço de Halm em incorporar uma subtrama para aliviar as coisas mais sérias foram faladas até então. Porque o desenvolvimento paralelo é abandonado e um dos personagens tem de sumir uma semana para que outro núcleo se desenvolva.

    Uma das coisas que aliviam essas irregularidades é a ambientação. A cena carioca hype, dos jovens de classe média que “sambam” no Carioca da Gema ou tomam cerveja de pé na Mem de Sá são personificadas pelo elemento estrangeiro, Carol, e por uma personagem do tipo tranqueira recorrente no fim de uma noite boêmia.

    Confesso que, no final de Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, queria mais sarcasmo e menos auto-indulgência. Um voo mais rasante de Halm, menos preso na necessidade de “meu filme precisa ser leve”. O Zeca podia ficar mais quieto em vez de falar sempre.

    Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos não é tão frívolo como aparenta ser e há algo bem sério em relação ao falso amor. Mas, os inúmeros buracos tornam a trajetória até lá penosa e, algumas vezes, entendiante.

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