HISTÓRIAS PROIBIDAS

HISTÓRIAS PROIBIDAS

(Storytelling)

2001 , 87 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Todd Solondz

    Equipe técnica

    Roteiro: Todd Solondz

    Produção: Christine Vachon, Declan Baldwin, Ted Hope

    Fotografia: Frederick Elmes

    Trilha Sonora: Belle and Sebastian, Nathan Larson

    Elenco

    Aleksa Palladino, Conan O'Brien, Franka Potente, James T. Williams II, Jennifer Elise Cox, John Goodman, Jonathan Osser, Julie Hagerty, Leo Fitzpatrick, Lupe Ontiveros, Mark Webber, Mike Schank, Nick Maltes, Noah Fleiss, Paul Giamatti, Robert Wisdom, Selma Blair, Steve Railsback, Steven Rosen

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O diretor Todd Solondz, o mesmo dos aclamados Bem-Vindo à Casa de Bonecas e Felicidade, está de volta com suas habituais doses de sarcasmo e crueldade contra os valores estabelecidos da sociedade norte-americana. Em seu novo filme, Histórias Proibidas, Solondz analisa o universo dos jovens para abordar temas como sexo, racismo, cultura da celebridade, exploração e humilhação. E, para isso, ele parte do tragicômico cenário dos colégios americanos. O filme é dividido em duas histórias: a primeira, “Ficção”, mostra a vida de Marcus (Leo Fitzpatrick, que estreou no cinema com o polêmico Kids), um aspirante a escritor portador de paralisia cerebral.

    A segunda, “Não-Ficção”, fala de Toby (Paul Giamatti, de Duets – Vem Cantar Comigo), um cineasta frustrado que se dedica a fazer um documentário sobre os adolescentes suburbanos dos EUA. Sem verba, ele reduz as ambições do seu projeto e passa a focalizar apenas a vida de Scooby (Max Webber), um rapaz apático e entediado que tem como lema de vida a frase “não sei e nem quero saber”.

    Esta segunda história é melhor. Solondz destila aqui toda a sua ironia contra o vazio dos valores atuais e esmiúça a falsidade das relações humanas. É um triste painel pintado com as cores da crítica social. Todos os três irmãos da segunda história, por exemplo, têm nomes de personagens de TV: Scooby (de Scooby-Doo), Mickey (o famoso camundongo) e Brady (do antigo seriado The Brady Bunch). É o próprio Scooby quem diz: “Eu não sou burro. Eu vejo TV”, enquanto seu irmão menor, com a frieza de um general de exército, acredita fielmente que “quem é ruim deve morrer”. Isso bem antes de George W. Bush decidir por conta própria que o islamismo é o terror do mundo.

    Falando em mundo, demonstrando o total desconhecimento que os norte-americanos têm sobre o nosso planeta, a professora de Scooby afirma categoricamente que o estresse dos alunos que decidem qual faculdade devem fazer é maior que o estresse da população da Bósnia durante a guerra.

    Solondz, porém, propõem uma terrível vingança contra toda esta alienação. Uma retaliação que vem de baixo, das camadas menos favorecidas da população, representadas no filme pela empregada latina Consuelo (Lupe Ontiveros).

    Com humor negro e cáustico, Histórias Proibidas permite várias leituras e reflexões. Merece ser conferido.
    26 de dezembro de 2001
    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus