HOLY MOTORS

HOLY MOTORS

(Holy Motors)

2012 , 115 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/11/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Leos Carax

    Equipe técnica

    Roteiro: Leos Carax

    Produção: Albert Prévost, Martine Marignax, Maurice Tinchant

    Fotografia: Caroline Champetier, Yves Cape

    Estúdio: arte France Cinéma, Pandora Filmproduktion, Pierre Grise Productions, Théo Films, WDR / Arte

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Adrien Guitton, Ahcène Nini, Alejandro Moreu Garriga, Alexandre Leitao, Annabelle Dexter-Jones, Aurélia Jurca, Bastien Bernini, Bertrand Cantat, Big John, Camille Rutherford, Clément Robin, Corinne Yam, David Nzavotunga Kiala, David Stanley Phillips, Denis Lavant, Doctor L, Edith Scob, Elisa Caron, Elise Lhomeau, Elliot Simon, Eloi Miehe, Eva Mendes, Fabien Hagege, François Rimbau, Geoffrey Carey, Grégoire Simon, Hanako Danjo, Hugo Boulesteix, Jeanne Disson, Johanna Nizard, Julie Prévost, Katarzyna Glinka, Kester Lovelace, Kylie Minogue, Laurent Lacotte, Leos Carax, Leslie Palanker, Matthew Gledhill, Michel Delahaye, Michel Piccoli, Miguel Saboga, Nastya Golubeva Carax, Pierre Marcoux, Quentin Auvray, Reda Oumouzoune, Riche, Sonia Brahim, Viviane Arnoux, William Blair, Yao Dembele, Yves Abadi, Zara Broughton, Zlata

  • Crítica

    25/11/2012 15h18

    Holy Motors não é um filme simples e nem deveria ser. É uma daquelas produções que faz você passar horas discutindo com os amigos. Te deixa inquieto, repleto de dúvidas e aberto a diversos tipos de interpretações. A única certeza que se tem sobre o roteiro é de que somos convidados a conhecer o imaginário, por vezes doentio, ora poético, do diretor Leos Carax.

    Logo na primeira cena, Carax aparece também como ator em uma clara referência à sua paixão pelo cinema e, literalmente, abre as portas da sua mente para mostrar um dia na vida de homem comum, neste caso com diversas personalidades, apresentado como Sr. Oscar.

    Dentro de sua luxuosa limousine branca, ele desfila pela cidade realizando encontros. Nos primeiros momentos você duvida da finalidade de tais atos, porém, em poucos minutos, embarca na fantasia e acaba envolvido pela magia da sétima arte.

    O carro é o guia para toda a história, talvez por isso o filme tenha sido comparado a Cosmópolis, produção assinada por David Cronenberg e estrelada por Robert Pattinson. Mas as semelhanças acabam por aí. Enquanto Cosmópolis teme em mostrar o universo externo ao automóvel, Holy Motors vai muito além e aproveita toda a beleza de Paris para ressaltar seus pontos altos.

    Uma destas qualidades é o elenco liderado por Denis Lavant que, com genialidade, conduz grande parte do enredo sozinho, transitando com maestria entre os mais diversos personagens. Um prato cheio para os fãs de teatro e, por que não, das artes circenses, já que inúmeras situações do picadeiro são relacionadas à trama.

    O filme cresce como poucos: impossível não ficar ansioso pelos próximos passos de Lavant. Dois destes momentos merecem destaque; spoilers à parte, é necessário relatá-los. Primeiro, a aparição do Senhor Merda: uma mistura entre Leprechaun e mendigo, personagem criado por Carax para o seu segmento em Tokyo! (2008). Tal figura surge para incomodar o público. Sua atuação ao lado de Eva Mendes transforma a bela atriz em um simples adereço, parte de um jogo que brinca com figuras sagradas e outros dogmas religiosos.

    Outro momento empolgante deve-se à aparição da cantora Kylie Minogue. O maior hit de sua carreira, Can't Get You Out Of My Head, é usado como referência de imaturidade em uma certa cena. Na sequência, Kylie ganha as telas, agora como atriz, para interpretar o maior clichê de um musical: uma canção emotiva como resposta de uma pergunta. A passagem é uma clara crítica às fórmulas prontas de um gênero e tem grande desfecho: Minogue despenca de um prédio e seu crânio se espatifa no chão sem qualquer glamour.

    Apesar de ser repleto de referências cinematográficas, elementos surrealistas e mensagens subliminares, Holy Motors trata todos estes temas de maneira direta e não pretensiosa. Infelizmente, não deve agradar o grande público, mas é uma obra de arte forte e marcante, algo chocante, para tirar a indústria da mesmice e incomodar o espectador. Não à toa foi aplaudido de pé por 15 minutos após sua exibição no Festival de Cannes de 2012.

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