HOMEM-ARANHA

HOMEM-ARANHA

(Spider-Man)

2002 , 121 MIN.

Gênero: Aventura

Estréia: 17/05/2002

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sam Raimi

    Equipe técnica

    Roteiro: David Koepp

    Produção: Ian Bryce, Laura Ziskin

    Fotografia: Don Burgess

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: Columbia Pictures, Laura Ziskin Productions, Marvel Enterprises

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Ajay Mehta, Alex Black, Amy Bouril, Ashley Edner, Bill Calvert, Bill Nunn, Brad Grunberg, Bruce Campbell, Cliff Robertson, Corey Mendell Parker, David Holcomb, Deborah Wakeham, Elizabeth Banks, Erica D. Porter, Evan Arnold, Gerry Becker, J.K. Simmons, Jack Betts, James Franco, James Kevin Ward, Jason Padgett, Jayce Bartok, Jeanie Fox, Jill Sayre, Jim Norton, Joe D'Onofrio, Joe Manganiello, Joe Virzi, John Paxton, Julia Barry, K.K. Dodds, Kirsten Dunst, Kristen Davidson, Kristen Marie Holly, Larry Joshua, Laura Gray, Lisa Danielle, Lucy Lawless, Mackenzie Bryce, Macy Gray, Maribel González, Matt Smith, Michael Edward Thomas, Michael Papajohn, Myk Watford, Natalie T. Yeo, Octavia Spencer, Peter Appel, Rachael Bruce, Randy Savage, Robert Kerman, Ron Perkins, Rosemary Harris, Sally Livingstone, Sara Ramirez, Scott Spiegel, Shan Omar Huey, Shane Habberstad, Stanley Anderson, Sylva Kelegian, Taylor Gilbert, Ted Raimi, Tim De Zarn, Timothy Patrick Quill, Tobey Maguire, Willem Dafoe, William Joseph Firth

  • Crítica

    17/05/2002 00h00

    Peter é um adolescente que, depois de ser picado por uma aranha geneticamente modificada, ganha poderes sobre-humanos e se transforma no super-herói Homem-Aranha. Quem não sabe disso é porque não estava no planeta Terra ultimamente. Os fãs de cinema e de quadrinhos não falam de outra coisa: o lançamento da superprodução Homem-Aranha e o impressionante recorde batido pelo filme nas bilheterias dos Estados Unidos. Nada menos que US$ 114 milhões de faturamento em apenas três dias de exibição, a maior quantia já registrada num único final de semana, em toda a história do cinema. US$ 26 milhões a mais que o primeiro final de semana de Titanic.

    O filme justifica todo este barulho? Em uma única palavra: sim. Homem-Aranha é uma deliciosa diversão em que tudo deu certo. Tobey Maguire (de Regras da Vida) está ótimo como o adolescente inseguro que praticamente se vê forçado pelas circunstâncias da vida a se transformar em herói. Ele treinou ioga, aeróbica, ciclismo e ginástica olímpica para o papel. Kirsten Dunst (de Entrevista Com o Vampiro) também convence como a garota dividida entre dois (ou mais) amores teenagers. O novato James Franco (que esteve em Nunca Fui Beijada) enche a tela com sua presença forte e visual atraente. Não por acaso, ganhou um Globo de Ouro por sua atuação no telefilme James Dean, em que viveu o papel-título. E o sempre eficiente Willem Dafoe (de A Sombra do Vampiro) faz um vilão à altura da caprichada produção. Afinal, não há um bom super-herói sem um ótimo supervilão.

    Mas certamente um bom elenco não funciona sozinho. É preciso a mão de um bom diretor. E, neste sentido, Homem-Aranha acaba marcando o ressurgimento glorioso de Sam Raimi, badalado cineasta que causou sensação nos anos 80 com A Morte do Demônio e Uma Noite Alucinante, mas que andava em baixa depois dos resultados apenas mornos de seus últimos trabalhos - Um Plano Simples, O Dom da Premonição e Por Amor.

    Da mesma forma, um bom diretor não pode fazer milagre se a trama for ruim. O que não acontece com Homem-Aranha. O ótimo roteiro foi escrito por David Koepp (que também participou das histórias de Jurassic Park, Pagamento Final, Missão Impossível e o aguardado O Quarto do Pânico), baseado nos personagens criados por Stan Lee (também produtor executivo do filme) e Steve Ditko.

    A união destes talentos conseguiu criar um filme raro: adolescente, sim, mas sem menosprezar a inteligência do público. De ação, mas com sentimentos profundos. Extremamente carismático. E com estonteantes efeitos especiais que servem de ferramentas para a trama e não ao contrário, como costuma acontecer. Efeitos inclusive de responsabilidade do "mago" John Dykstra, o mesmo de Guerra nas Estrelas, O Pequeno Stuart Little, Star Trek - O Filme e Batman Eternamente, entre vários outros.

    Provavelmente, o primeiro grande acerto do filme foi situar Peter Parker como um adolescente qualquer, igual a milhões de outros. Tímido, longe de ser o bam bam bam da turma, real. Ao se descobrir poderoso, Peter sente um misto de medo e empolgação. Não sabe lidar com as novidades do seu corpo, exatamente como todos os outros adolescentes. Até os não-aracnídeos. Tais características aproximam o personagem do público comum, ao mesmo tempo em que criam a tão necessária projeção. Afinal, quem jamais pensou em dar maravilhosos saltos acrobáticos pelos topos dos prédios? Os meninos pensam.

    O roteiro toma o precioso cuidado de não cair no maniqueísmo fácil que os filmes baseados em histórias em quadrinhos podem proporcionar. Ninguém é exatamente mocinho nem exatamente bandido. Peter é o herói da vez, sem dúvida, mas também sabe destilar sua crueldade se for preciso. Seu amigo, Harry, é um mauricinho em potencial que poderia se transformar num personagem intolerável nas mãos de um roteirista mediano. Mas não: ele tem dúvidas, conflitos, inseguranças, enfim, uma personalidade real e humana. Mary Jane se relaciona com quatro garotos durante o filme e, mesmo assim, consegue manter a dignidade típica da "namorada do mocinho". Papel difícil, mas real. E até o mega vilão Duende Verde tem um lado humano e bondoso que o atormenta constantemente.

    Nada de superficialidades fáceis. Homem-Aranha mostra uma visão muito especial do chamado "rito de passagem" da adolescência para a vida adulta. Se no início da ação Peter Parker é apenas um garoto platonicamente apaixonado por uma colega de classe (afinal, toda a história acontece por causa de uma garota, diz o personagem no início de sua narrativa), nos minutos finais ele vai ver sua realidade transformada - e transtornada - pelo peso do próprio crescimento, da própria responsabilidade legada de seus poderes. Para contrabalançar, o humor entra na dose certa. Inteligente, sem escracho. A tia fala para Peter que ele está estudando demais, trabalhando demais e, afinal, ele "não é o Super-Homem". A cena em que Peter tenta descobrir o que ele deve fazer para liberar suas poderosas teias é hilariante. A justificativa da bizarra roupa do herói é muito bem construída e argumentada.

    Enfim, um trabalho que dosa sabiamente humor, aventura, drama e romance e, por isso mesmo, acaba agradando aos mais variados tipos de público.

    13 de maio de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]



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