HORA DO SHOW

HORA DO SHOW

(Bamboozled)

2000 , 135 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Spike Lee

    Equipe técnica

    Roteiro: Spike Lee

    Produção: Jon Kilik, Spike Lee

    Fotografia: Ellen Kuras

    Trilha Sonora: Terence Blanchard

    Estúdio: 40 Acres and a Mule Filmworks

    Elenco

    Damon Wayans, Jada Pinkett Smith, Michael Rapaport, Mira Sorvino, Savion Glover, Thomas Jefferson Byrd, Tommy Davidson

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Cada vez mais Spike Lee vem seguindo pelos mesmos caminhos de Woody Allen: ambos são cineastas prestigiados pela crítica, ligados à intelectualidade, premiados, autores de filmes importantes, inteligentes... e verdadeiros "micos" para as distribuidoras de cinema. Tanto Allen como Lee levantam bilheterias inexpressivas e, muitas vezes, têm sérias dificuldades até em verem seus filmes distribuídos de forma decente. Tanto nos Estados Unidos como no Brasil. Isso é fruto de um mercado míope, que há anos consagra grandes bobagens em detrimento de produtos cinematográficos de valor e conteúdo verdadeiramente importantes.

    Reflexões à parte, estréia neste final de semana o mais recente filme de Spike Lee, Hora do Show, com as famosas metralhadoras giratórias do cineasta sendo apontadas agora contra o mundo da televisão. A trama mostra Pierre Delacroix (Damon Wayans), um jovem negro, redator de uma emissora de televisão, que ainda não conseguiu ter nenhum de seus textos produzidos para a telinha. Seu patrão Dunwitty (Michael Rapaport) exige de Pierre um sucesso imediato, caso contrário o rapaz será colocado na rua.
    Pressionado, Pierre escreve uma comédia escrachada, baseando-se na época em que todos os personagens negros eram vividos por atores brancos com seus rostos pintados, já que os negros não podiam se apresentar nos palcos. Sarcasticamente, a comédia de Pierre é interpretada por atores negros, pintados com os rostos ainda mais negros. Resultado: sucesso absoluto. Porém, o jovem autor começa a receber várias pressões de pessoas indignadas com a farsa. E o que era para ser apenas uma comédia de televisão acaba se transformando numa polêmica social sobre as relações raciais nos Estados Unidos.

    "Sempre fiquei decepcionado com o modo limitado como as pessoas de cor são retratadas, descritas e muitas vezes reescritas na história", afirma Spike Lee, roteirista, produtor e diretor do filme. "E agora, parece ser o momento certo de se pensar no cinema, mas também em todas as mídias." Nem poderia ser diferente, já que a luta racial sempre foi a principal bandeira de Lee. Porém, se em relação ao conteúdo o cineasta se mostra fiel às raízes de seus primeiros filmes, já no tocante à forma ele se permite ousar mais, partindo para tecnologias mais modernas. Para realizar Hora do Show, o cineasta utilizou dezenas de minicâmeras de vídeo digitais, monitorando até 15 delas simultaneamente. Como a ação é ambientada nos bastidores da TV, o resultado ficou, no mínimo, coerente.

    Hora do Show é um belo espetáculo: bem produzido, ágil e com uma vibrante trilha sonora. Tem a fina ironia e o texto cínico que sempre caracterizam a obra de Spike Lee e ainda leva a vantagem de não tratar a questão racial de forma panfletária. Merece ser conferido.

    4 de julho de 2001
    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus