Pôster do filme ILHA DOS CACHORROS

ILHA DOS CACHORROS

(Isle of Dogs)

2018 , 101 MIN.

14 anos

Gênero: Animação

Estréia: 19/07/2018

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wes Anderson

    Equipe técnica

    Roteiro: Jason Schwartzman, Kunichi Nomura, Roman Coppola, Wes Anderson

    Produção: Eli Bush, Jeremy Dawson, Octavia Peissel, Scott Rudin, Steven Rales, Wes Anderson

    Fotografia: Tristan Oliver

    Trilha Sonora: Alexandre Desplat

    Estúdio: American Empirical Pictures, Indian Paintbrush, Studio Babelsberg Motion Pictures, Twentieth Century Fox Animation

    Montador: Andrew Weisblum, Edward Bursch, Ralph Foster

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Akira Ito, Akira Takayama, Bill Murray, Bob Balaban, Bryan Cranston, Courtney B. Vance, Edward Norton, F. Murray Abrahams, Fisher Stevens, Frances McDormand, Greta Gerwig, Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Ken Watanabe, Koyu Rankin, Kunichi Nomura, Liev Schreiber, Mari Natsuki, Nijirô Murakami, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Yoko Ono

  • Crítica

    18/07/2018 17h03

    Por Daniel Reininger

    O segundo filme de animação stop-motion de Wes Anderson é feito, especialmente, para os amantes dos cachorros e todos aqueles que admiram a lealdade desses amigos de quatro patas, que nos trazem tantas alegrias. Só que, ao contrário do que parece, esse não é um filme fofo, é pesado, triste e está mais perto de uma aventura Cyberpunk sobre opressão e luta contra o sistema do que sobre bichos engraçadinhos e, por isso mesmo, essa é uma das suas obras mais interessantes até aqui.

    Ilha Dos Cachorros se passa num futuro próximo, na cidade japonesa de Megasaki, onde o corrupto prefeito Kobayashi exilou todos os cães em uma ilha próxima dominada pelo lixo. A desculpa é uma suposta doença canina que pode afetar humanos, mas, na verdade, ele está envolvido em um complexo esquema de vingança, que data de séculos atrás, quando os cães lutaram contra o clã Kobayashi, que são amantes de gatos.

    Meses após o exílio, uma matilha comandada por Chefe (Bryan Cranston) encontra uma criança de 12 anos, que fugiu de casa, roubou um avião e voou para a ilha para encontrar seu melhor amigo, Spots, mandado para lá no início da crise. Atari (Koyu Rankin) é o único ser humano que já tentou buscar seu amigo cachorro e, por isso, a maioria dos cães da matilha está disposta a fazer qualquer coisa para ajudá-lo, menos o prático Chefe, o mais humanizado do grupo, que não acha lógico ajudar o menino.

    Só que Chefe é arrastado para a aventura apesar de suas objeções. Eles viajam por locais destruídos, parques e laboratórios abandonados. O filme é uma alegoria dos problemas sociopolíticos do mundo atual, como todo bom sci-fi, mas traz o tom e a estética de Wes Anderson: contraste de cores berrantes e tons pastéis, visual surrealista e personagens estranhos repletos de problemas.

    É bem legal como as lutas não passam de nuvens de poeira, os ambientes são estilizados e o humor peculiar do diretor aparece em diversos momentos, seja em sequências ágeis, como uma grande batalha estilizada, ou horripilantes, como uma violenta máquina de extermínio de cães. A estética leve, contrasta com os temas e situações do longa e se torna outro aspecto capaz de fazer desse longa um suspense empolgante. É sobre personagens adoráveis em uma missão perigosa e imprevisível, enquanto tentam desesperadamente cuidar uns dos outros em um mundo governado por opressores corruptos determinados a acabar com toda sua raça.

    Esse talvez seja o filme mais fácil de Anderson, estética incrível, piadas boas, personagens fofos e cenários excêntricos, mas não deixa de ser emocionalmente maduro e inteligente. Praticamente todos os elementos possuem críticas profundas ao nosso mundo, como a manipulação das massas, xenofobia, opressão velada do governo, corrupção, peso político de grupos que não deveriam se envolver nesse campo, falta de empatia generalizada e muitas outras questões atuais. Não é difícil ficar revoltado, emocionado, incomodado e empolgado ao assistir essa aventura.

    Ilha Dos Cachorros é divertido acima de tudo. Emocionante, é impossível não terminar esse filme e correr para dar um abraço no seu animal de estimação. E, apesar de tudo isso, ainda é um longa capaz de alternar fofura, leveza e horror. Entretanto, caso você não queira pensar em nada disso, simplesmente vale curtir a aventura surreal de um menino e seus amigos cachorros.

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