IMPORT EXPORT

IMPORT EXPORT

(Import/ Export)

2007 , 135 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 08/05/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ulrich Seidl

    Equipe técnica

    Roteiro: Ulrich Seidl, Veronika Franz

    Produção: Lucki Stipetic, Ulrich Seidl

    Fotografia: Edward Lachman, Wolfgang Thaler

    Elenco

    Ekateryna Rak, Georg Friedrich, Michael Thomas, Paul Hofmann

  • Crítica

    08/05/2009 00h00

    No primeiro plano de Import Export, vemos um senhor que tenta ligar uma moto, bem no meio de um enquadramento dominado por informações visuais de um inverno rigoroso, com muita neve por todos os lados. A moto não pega, mas aparece de repente o nome do filme. Corta para uma enfermeira andando no mesmo cenário gélido. É a ela que seguiremos, numa história que corre paralelamente a de um jovem que tenta a vida como segurança, e se depara com alguns marginais - e agiotas - no caminho.

    Ela é uma ucraniana insatisfeita com o emprego que resolve tentar a vida numa espécie de peepshow virtual. Depois consegue trabalho como babá de um menino mimado, filho de uma mulher arrogante. Ele é um jovem rebelde, que gosta do confronto, da agressão. O senhor que tentava ligar a moto provavelmente está ali para passar a idéia de fracasso que vai permear toda a narrativa, ilustrada por situações em que os personagens são submetidos a situações constrangedoras.

    O nome do filme vem da tentativa dos personagens principais de tentar uma situação melhor em outros países. Ela vai para a Europa central, mas não foge do frio físico e emocional. Ele vai para o leste, e conhece situações de pobreza humana que em sua Áustria natal se mantinha escondida nas entranhas da mente das pessoas. Ninguém é inocente, nenhum personagem tem direito a tréguas, ou mesmo a um respiro para se recompor. Esse momento nós não vemos.

    Ulrich Seidl, diretor de Import Export, pertence à mesma linhagem de Michael Haneke (Violência Gratuita). Não por acaso, os dois são austríacos. Vendo seus filmes, ficamos com a impressão de que viver num presídio brasileiro é menos sofrível do que na Áustria, ou mesmo na Europa. São críticos da sociedade, austríaca principalmente. Porém, ao contrário de Haneke, Seidl não consegue extrapolar as amarras de seu cinema observacional da indiferença - que no caso de Import Export não é só humana, mas está em todos os cenários e situações pelos quais os personagens passam.

    Se notamos um grande avanço em relação ao longa de ficção anterior de Seidl, Dias de Cão - filme cruel que angariou muitos fãs entre os espectadores de festivais, incluindo os brasileiros -, ainda sentimos que a frieza mostrada na frente e por trás das câmeras termina por emperrar qualquer pretensão ao estudo das relações humanas que parece implícito em cada cena deste novo longa.

    Import Export não é difícil de ver até o fim, pois algumas imagens são bem pensadas, e Seidl definitivamente aprendeu a posicionar um ator diante de uma câmera. Mas é estéril, caindo na própria armadilha que armou.

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