IMPULSIVIDADE

IMPULSIVIDADE

(Thumbsucker)

2003 , 96 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mike Mills

    Equipe técnica

    Roteiro: Mike Mills

    Produção: Anne Carey, Anthony Bregman, Bob Stephenson, Jay Shapiro

    Fotografia: Joaquín Baca-Asay

    Trilha Sonora: Elliott Smith, Poliphonic Spree

    Elenco

    Benjamin Bratt, Chase Offerle, Keanu Reeves, Lou Taylor Pucci, Tilda Swinton, Vince Vaughn, Vincent D'Onofrio

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Eu sempre achei que o mundo é um lugar mais difícil de se viver quando se pensa demais. Sei que não sou a única a pensar isso, especialmente depois que li o livro Como Me Tornei Estúpido, escrito por Martin Paige. Neste romance, o protagonista encara a ignorância como um dom. Somente quando começa a tomar um remédio receitado pelo psiquiatra, finalmente ele começa a parar de pensar e, finalmente, conseguir ascensão social. É mais ou mesmo essa a trajetória de Justin Cobb (Lou Taylor Pucci), protagonista de Impulsividade.

    Justin é um tradicional jovem suburbano mal-compreendido. Nada popular na escola, é apaixonado pela colega Rebecca (Kelli Garner), com quem freqüenta as aulas de Debate na escola. Além disso, tem pais que não se comportam como pais normais, mas sim como amigos: Audrey (Tilda Swinton) e Mike (Vincent D'Onofrio) são mais infantis que o próprio filho adolescente. Mas o que causa mais problemas na vida de Justin está em seu dedão: ele o chupa compulsivamente. E nem mesmo sessões de hipnose com seu ortodontista (Keanu Reeves) são capazes de reverter essa mania.

    Quando uma psicóloga de sua escola lhe receita anfetaminas a fim de melhorar seu desempenho nos estudos, acontece uma verdadeira reviravolta na vida de Justin. Com os pensamentos e raciocínio mais apurados, o protagonista torna-se imprescindível no grupo de debates. O sucesso com a garota de seus sonhos começa a acontecer e até o ambiente familiar melhora. E, principalmente, Justin é capaz de abandonar a mania infantil que o perseguia.

    À primeira vista, Impulsividade parece relacionar o sucesso do adolescente à ingestão dos remédios, mas, na verdade, pode-se dizer que é o contrário. De uma forma cínica, o filme observa como as grandes transformações dependem de coisas tão banais e simples, como a ingestão de um remédio, ou o ato de chupar o dedão. O retrato do jovem mal-compreendido que nasceu e foi criado num bairro suburbano dos EUA é feito de uma forma não muito nova em se tratando em comédias dramáticas e o humor negro, tão comum em produções do gênero, está sempre presente. No entanto, é nas sutilezas que Impulsividade ganha seu espaço. Dirigido por Mike Mills - mais conhecido pela direção de videoclipes de artistas como Air, Moby e Pulp -, a produção conta com atuações memoráveis, especialmente de Tilda Swinton (sempre boa, não tem jeito), Vincent D'Onofrio e o novato Lou Taylor Pucci que, por este trabalho, foi escolhido como Melhor Ator em importantes festivais de cinema, como de Berlim e Sundance.

    Assim como a maioria das produções independentes norte-americanas, Impulsividade tem uma trilha sonora excelente, composta pelo coral/ banda indie Polyphonic Spree. Não bastando, ainda há canções de Elliott Smith nesta trilha em uma complicação digna de se ter em casa, na prateleira de CDs. Resta saber se o disco será lançado no Brasil - coisa difícil de se acontecer em nosso inexplicável mercado fonográfico. Se o disco tende a não estar na sua coleção, vale a pena pelo menos conferir o longa-metragem que, se não mudar sua vida, pelo menos será capaz de proporcionar aquela diversão inteligente que faz tanta falta.

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