INFIEL

INFIEL

(Trolösa)

2000 , 155 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Liv Ullmann

    Equipe técnica

    Roteiro: Ingmar Bergman

    Produção: Kaj Larsen

    Fotografia: Jörgen Persson

    Estúdio: SVT Drama

    Elenco

    Erland Josephson, Juni Dahr, Krister Henriksson, Lena Endre, Michelle Gylemo, Philip Zandén, Thomas Hanzon

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Perto de seus 60 anos, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, um homem (Erland Josephson) está sentado à sua escrivaninha. Olha alguns papéis, escritos, rabiscos, fotografias. De repente, uma visita: a presença misteriosa de Marianne (Lena Endre) parece iluminar a sala. Atriz, loira, bonita, cerca de 40 anos, Marianne começa a falar de seu passado amoroso, relatando as experiências vividas com o marido maestro Markus (Krister Henriksson) e o amante cineasta David(Thomas Hanzon).

    Porém, há um clima de magia no ar. Marianne não parece real. Talvez ela seja um sonho, uma visão, um fantasma do passado. E por que ela estaria contando tudo aquilo àquele homem tão atento?

    Com ritmo e clima puramente bergnianos, Infiel conta uma história de amor, paixão, traição e ódio que cativa o espectador de maneira lenta, gradual e irresistível. Não por acaso, o argumento do filme foi escrito pelo próprio Ingmar Bergman e a direção é de Liv Ullmann, ex-esposa, amiga e atriz preferida do consagrado cineasta sueco. É como se estivéssemos vendo um legítimo Bergman, novinho em folha. O que seria impossível, já que o velho mestre, atualmente com 82 anos, aposentou-se da direção cinematográfica em 1986. Mas vários elementos bergnianos podem ser apreciados em Infiel: a narrativa sem pressa, a introspecção, a tendência para a análise psicológica, a estética teatral, a riqueza dos diálogos e até a presença de Erland Josephson, ator de Fanny e Alexander, Sonata de Outono, Face a Face e outras obras de Bergman.

    Porém, Infiel não é apenas uma cópia de Bergman. Liv Ullman consegue imprimir sua marca, amarrando com total competência as mais de duas horas e meia de filme, intrigando a platéia com inteligentes jogos de roteiros e ainda causando reflexões sobre temas tão polêmicos como amor, casamento e (in)fidelidade.

    Especialmente indicado para quem anda cansado do cinema-montanha-russa, Infiel é um filme sutil e contemplativo. Delicado e inspirado, como Mozart sendo tocado numa caixinha de música. Exatamente o som que abre e fecha o filme.

    29 de maio de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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