INSTITUTO DE BELEZA VÊNUS

INSTITUTO DE BELEZA VÊNUS

(Vénus Beauté)

1998 , 105 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tonie Marshall

    Equipe técnica

    Roteiro: Tonie Marshall

    Produção: Gilles Sandoz

    Fotografia: Gérard de Battista

    Trilha Sonora: Khalil Chahine

    Elenco

    Bulle Ogier, Jacques Bonnaffé, Mathilde Seigner, Nathalie Baye, Samuel Le Bihan

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    "O ator e diretor americano William Marshall não chegou a fazer grande sucesso nos 16 filmes em que atuou e nos três que dirigiu, durante os anos 40 e 50. Sua filha francesa, porém, está dando mais sorte: Instituto de Beleza Vênus, quinto longa metragem dirigido pela atriz e cineasta Tonie Marshall, foi o grande vencedor do César 2000 (o Oscar francês), com seis indicações e quatro troféus. Incluindo melhor filme, melhor direção e melhor roteiro, este também assinado por Tonie. Levou mais de um milhão e 200 mil franceses ao cinema.

    Instituto de Beleza Vênus pode não ser – para usar uma palavra muito comum entre os franceses – genial. Mas é sensível e envolvente. O roteiro centraliza-se na personagem de Angèle (Nathalie Baye, a jovem Joelle, de Noite Americana), uma esteticista que prefere encontros fugazes a um relacionamento sólido. Motivo: aos 40 anos, machucada e desiludida, ela já não acredita mais em príncipes encantados. Só o impossível lhe atrai.
    O universo de Angèle praticamente se restringe ao salão de beleza onde trabalha e troca confidências com as colegas Samantha (Matilde Seigner, irmã de Emmanuelle Seigner) e Marie (Audrey Taoutou, prêmio César de revelação feminina deste ano). Entre os clientes figuram alguns tipos à beira do almodovariano, como uma bela morena que insiste em desfilar nua pelo salão, e um veterano de guerra que fez plástica no rosto usando a pele das nádegas de sua esposa. Tudo isso dentro de um difícil mas eficiente equilíbrio entre o patético, o dramático e o cômico.
    Como que querendo ressaltar a dificuldade de entrega de sua personagem principal, a diretora a coloca quase sempre “protegida” (ou seria distanciada?) por vidros. É através de vidros e vitrines de restaurantes, casas ou cabines telefônicas que Angèle testemunha o caso amoroso de Marie, segue os homens que lhe interessam, ou observa o movimento da rua. Uma espécie de escudo protetor de seus sentimentos. O próprio Instituto de Beleza Vênus reluz como um aquário de cores irreais, numa anônima rua parisiense.
    Também é um vidro estourado (mais precisamente um néon) que abre caminho para a libertação sentimental da personagem, num momento com sabor de conto de fadas. A mulher que não acreditava em príncipes encantados vive finalmente seu minuto de Cinderella, com direito até a vestido de baile, numa significativa noite de ano (ou amor?) novo.
    Ao mesmo tempo em que descarta a tradição verborrágica e supostamente intelectualizada da cinematografia francesa, Instituto de Beleza Vênus não cede ao lugar comum, obtendo assim um meio termo dos mais agradáveis entre os chamados cinemas “de arte” e “comercial”. Acima de tudo, é um filme que se acompanha com ternura."

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