INVICTUS

INVICTUS

(Invictus)

2009 , 134 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/01/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Clint Eastwood

    Equipe técnica

    Roteiro: Anthony Peckham

    Produção: Clint Eastwood, Lori McCreary, Mace Neufeld, Robert Lorenz

    Fotografia: Tom Stern

    Trilha Sonora: Kyle Eastwood, Michael Stevens

    Estúdio: Mace Neufeld Productions, Malpaso Productions, Revelations Entertainment, Spyglass Entertainment, Warner Bros

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Abbas Hendricks, Abraham Vlok, Abu Bakr Davids, Abu-Bakr Hendricks, Adenaan Bazier, Adjoa Andoh, Albert Maritz, André Jacobs, Andrew Nel, Andrew Rose, Andries Le Grange, Anthony Burns, Anton Coosner, Ashley Down, Ashley Taylor, Aukusitino Junior Poluleuligaga, Ayabulela Stevens, Bart Fouche, Bjorn Steinbach, Bonnie Henna, Bradley Contereal, Brandon Hendricks, Brendell Brandt, Brendon Shields, Callan Artus, Calvin Kotze, Charl Engelbrecht, Clint Van Rensburg, Clinton Prinsloo, Clive Richard Samuel, Conrad Marais, Dale Stephen Dunn, Dan Robbertse, Dan Visser, Dane Gallery, Daniel Deon Wessels, Daniel Hadebe, Danny Keogh, David Dukas, David John Fourie, Devan Gericke, Don Eiman, Edward O'Sullivan, Emile Olivier, Enrico Blaauw, Epeli Taione, Eugene Butterworth, Faseegh Mallick, Gareth Rowe, Geoff Brown, Gerard Pedersen, Gerhard Gerber, Gift Leotlela, Given Stuurman, Gordon Johnston, Graham Lindemann, Grant Roberts, Grant Swanby, Hendrix Franken, Henie Bosman, Henry Temple, Herman Botha, Hyron Thyse, J.R. Redlinghaus, Jaco Pieterse, Jadeon du Tait, Jake Levin, Jakkie Groenewald, James Lithgow, Jamie Holtzhausen, Japan Mthembu, Jean-Pierre Van Zyl, Jethro Mickleburgh, Jodi Botha, Jody Burch, Joe Probyn, Joel Serman, John Paul Chapman, Johnny Cicco, Jonathan Van der Walt, Josias Moleele, Juan Coetzer, Julian Lewis Jones, Karl Bergemann, Karlo Aspeling, Keith Daly, Kgosi Mongake, Kurt Kuhn, Langley Kirkwood, Leleti Khumalo, Len Berter, Lida Botha, Louis Ackerman, Louis Minnaar, Louis Pieterse, Malusi Skenjana, Marguerite Wheatley, Mario Jacobs, Marius Erwee, Mark Bown-Davies, Mark Katzen, Mark Rickard, Mark Snodgrass, Matt Damon, Matt Stern, McNeil Hendricks, Melusi Yeni, Meren Reddy, Mfundo Galada, Michael La Grange, Michael Ledwidge, Michael van Schalkwyk, Mohammed Ridhaa Oamon, Morgan Freeman, Morne Vletter, Murray Todd, Mzikayise Rala, Nambitha Mpumlwana, Nezaan Bewee, Niklaas Soutman, Patrick Bell, Patrick Holman, Patrick Lyster, Patrick Mofokeng, Pedro Noronha, Penny Downie, Pieter Engelbrecht, Reagan Anderson, Refiloe Mpakanyane, Renzo Puccini, Riaan Van der Vyver, Riaan Wolmarans, Richard Abrahamse, Richard Morris, Richard Smith, Richard Williams, Robert Hobbs, Robin Smith, Rolf E. Fitschen, Ross Peacock, Rudi Zandberg, Ryan Olivier, Ryan Roman, Ryan Scott, Ryan Williams, Salman Safodien Davids, Sarel du Plessis, Scott Eastwood, Sean Pypers, Sello Motloung, Shaffiq Nordien, Shakes Myeko, Shane Vallender, Shaun Harding, Shawn du Plooy, Sibongile Nojila, Sililo Victor Martens, Simon Peter Blakeley, Sivuyile Ngesi, Stewart Palmer, Stuart Calder, Susan Danford, Sylvia Mngxekeza, Taariq Davids, Tahir Achmat, Theodore Groyers, Thomas Boyd, Tony Kgoroge, Troy Futter, Vaughn Thompson, Vuyo Dabula, Vuyolwethu Stevens, Warren Butler, Warren Edwards, Warren Taylor, Warrick Ireland, Wayne Harrison, Willem Mouton, William Festers, Wynand Collins, Yusuf Abrahams, Zak Feaunati, Zuhair Achmat

  • Crítica

    20/01/2010 12h37

    Carreata com Nelson Mandela atravessa uma larga rua. A câmera a segue e focaliza os dois lados da via. De um, jovens brancos e bem vestidos praticam rúgbi sob a batuta de um treinador. Do outro, negros miseráveis saldam com euforia o presidente recém eleito. O técnico diz para os alunos tomarem cuidado, pois os terroristas – negros – tomaram conta do país. Corta.

    Clint Eastwood é tão genial que, só com a sequência inicial de Invictus, explica cinematograficamente o bê-a-bá da situação política pós-apartheid na África do Sul. Porém, de um diretor que fez o melhor filme de 2009, Gran Torino, eu esperava mais. Confesso.

    Clint conduz seu filme com dois tons. O primeiro é distanciado da situação. Somos observadores do dia a dia de Mandela (o perfeito Morgan Freeman), sua relação com as expectativas dos negros, sua posição de não buscar vingança. Observamos e observamos, Clint não quer que nos emocionemos demais com as atitudes do presidente.

    Esse distanciamento muda na metade do filme. Mandela sabe a força do rúgbi no país e usa a seleção como espelho para o seu projeto de reconciliação. Nesta tarefa, conta com a ajuda do capitão dos Springboks, François Pienaar (Matt Damon). O objetivo é vencer a Copa do Mundo da categoria.

    Nesses momentos, Clint joga o distanciamento para escanteio, nos pega pelo pescoço do sentimentalismo e, desesperado, quer nos dizer “está vendo como é possível andar lado a lado sem segregação?”. Aí vale tudo: câmera lenta, abusar das cores quentes, frases de efeito, cantos de ternura. Óbvio que ele consegue emocionar. Mestre do cinema narrativo, usa o tema da superação, tão caro a qualquer um de nós, para nos convencer, ao menos por minutos, de que é possível. Doce utopia de um cineasta extremamente humano.

    Se não fosse Clint Eastwood, Invictus seria apenas um épico arrasa corações. Mas, existem outros momentos que o filme traz a mesma mensagem de união sem nos convocar às lágrimas. Na sala ao lado à presidencial estão os guarda-costas de Mandela, negros e brancos, com pavio curto. Mas há um momento em que a humanidade fala mais alto e eles deixam o coração falar, não o racismo. Cena conduzida com a necessária sobriedade e o bem-vindo humor.

    Morgan Freeman é Mandela, assim como Val Kilmer é Jim Morrison, Marion Cotillard é Piaf e Michael Pitt é Kurt Cobain. É uma honra vê-lo em cena como o líder, discutindo com sua assessora a importância do rúgbi, mostrar fraqueza com a distância da família, movimentar-se em cena. Matt Damon, de correta interpretação e personagem coadjuvante, serve de escada para Freeman.

    À exceção dos dois figurões, não pode passar despercebida a interpretação de Adjoa Andoh, a assessora do presidente. A atriz britânica, presença raríssima no cinema, fala com os olhos e tem uma relação ora simbiótica, ora conflituosa com Freeman.

    Ainda acho que, como diretor, Clint acerta mais quando é equilibrado e sério, mesmo quando faz filmes sobre uma jornada de superação ou de transformação, temas emotivos. O que isso quer dizer? Que logo após a sessão de Invictus, é provável que o final do filme fique na cabeça. Mas, ao longo dos dias em que ele vai sendo digerido, os momentos em que Nelson Mandela desfila como personagem marcam mais que a choradeira do jogo-chave da seleção.

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