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JACKIE

(Jackie, 2016)

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30/01/2017 18h01
por Daniel Reininger

Jackie mostra o drama da mais famosa primeira dama dos Estados Unidos diante da morte de John F. Kennedy. Histórias sobre os bastidores do poder são válidas para entendermos melhor certos eventos, mas, mesmo diante desse caso tão norte-americano, a grande atuação de Natalie Portman transforma essa narrativa em algo universal, afinal a protagonista é retratada sem filtros, algo raramente visto em obras do tipo.

Sim, a atriz está incrível, segura e determinada a criar a mais fiel e humana versão de Jackie Kennedy que o cinema já viu. Ela domina o filme e acompanhar sua intensa jornada é hipnotizante, independentemente da personagem ser ou não uma grande figura histórica. A forma como mostra insegurança, firmeza, tristeza e força é marcante e mostra que Natalie, de fato, é uma das grandes intérpretes do cinema atual.

A trama começa semanas após o assassinato de JFK com uma entrevista de Jackie a um repórter (Billy Crudup). Ela revive aquelas momentos sem medo de mostrar sua dor e insegurança ao jornalista, mas sem permitir que esses fatos cheguem ao público. O ponto principal era justificar a necessidade que sentiu de transformar o funeral do marido em um grande espetáculo para elevar seu nome ao status de lenda, algo que, 54 anos depois, podemos concluir que de fato aconteceu.

O chileno Pablo Larraín (O Clube) reconta, de forma marcante, o momento do assassinato, as horas imediatamente seguintes e o impacto sobre Jackie quando ela se dá conta da realidade. Com flashbacks, a trama nos leva a momentos da vida do casal na Casa Branca, à gravação do famoso programa de TV em que a primeira dama apresenta sua residência oficial ao povo americano, mas o foco está mesmo nos eventos após o fatídico crime.

O elenco de apoio faz um grande trabalho, especialmente Peter Sarsgaard como Bobby Kennedy e Billy Crudup como jornalista com a tarefa de ultrapassar as barreiras emocionais de Jackie e vislumbrar a verdadeira mulher por trás do ícone. Esses atores proporcionam a base para Natalie Portman encarar esse personagem de forma tão poderosa. Apesar do bom trabalho dos coadjuvantes, o mérito é da atriz, capaz de convencer mesmo nos momentos de maior desespero ou descontrole, sem deixar de recriar a presença impactante da figura conhecida pelo público.

Larrain mantém a câmera próxima a Natalie em todos os momentos para aumentar o impacto emocional, especialmente quando Portman circula pelos quartos vazios da Casa Branca, ligeiramente bêbada e usando vestidos extravagantes ao som de discos antigos. Por sinal, a trilha sonora de Mica Levi é realmente muito boa. Dito isso, algumas cenas parecem coreografadas demais e as discussões de Jackie com o padre interpretado por John Hurt parecem fora de contexto e tiram parte da imersão por sua falta real de propósito.

Fora essas pequenas falhas, Jackie desafia os padrões de biografias ao mostrar sua protagonista de forma muito mais crua do que poderíamos esperar. Portman encarna a personagem de maneira impressionante, a ponto de sentirmos suas dúvidas e sua dor ao longo de toda a obra. Embora a narrativa não traga nada novo do ponto de vista histórico, é o drama e a atuação de Portman que fazem dessa obra algo impactante, não por se tratar de Jackie Kennedy, mas por mostrar uma mulher forte e sempre tão segura de si diante de sua maior provação.

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Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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