JIMMY'S HALL

JIMMY'S HALL

(Jimmy's Hall)

2014 , 110 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 06/08/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ken Loach

    Equipe técnica

    Roteiro: Paul Laverty

    Produção: Rebecca O'Brien

    Fotografia: Robbie Ryan

    Trilha Sonora: George Fenton

    Estúdio: Element Pictures, Sixteen Films, Why Not Productions, Wild Bunch

    Montador: Jonathan Morris

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Aileen Henry, Aisling Franciosi, Barry Ward, Brían F. O'Byrne, Denise Gough, Francis Magee, Jim Norton, Karl Geary, Martin Lucey, Mikel Murfi, Seán T. Ó Meallaigh, Shane O'Brien, Simone Kirby, Sorcha Fox, Stella McGirl

  • Crítica

    05/08/2015 16h05

    Por Iara Vasconcelos

    Todas as revoluções ocorridas na sociedade tiveram seus representantes. A desobediência aos padrões da sociedade foi o que fez figuras como Rosa Parks – Costureira negra que se recusou a ceder o lugar no ônibus a um branco nos Estados Unidos -, o líder da luta pela democracia racial Martin Luther King e o sindicalista brasileiro Chico Mendes se tornarem símbolos de luta. Em Jimmy's Hall o diretor Ken Loach, conhecido pela dedicação em retratar a vida operária nos cinemas, como no premiado Ventos Da Liberdade (2006), acompanha a vida do líder irlandês Jimmy Gralton, perseguido pela igreja e acusado de ser comunista.

    Jimmy (Barry Ward) retorna ao seu país de origem após dez anos exilado em Nova York. Ele foi ostracizado pelo pastor e pelos poderosos locais após abrir um salão onde concedia aulas de dança, pintura, lutas e outras atividades à população. Na época, as reuniões no local foram vistas como um sinal de rebelião e potencialmente perigosas à supremacia da igreja católica. Jimmy foi acusado de ser um comunista e caçado, o levando à fuga e ao fechamento do salão.

    A volta dele realimentou rixas do passado, principalmente após um grupo de jovens, entediados com a vida no campo, pedirem a ele que reabrisse o local. Em uma cena, na tentativa de coagir os frequentadores do salão, o pastor leu para toda a igreja o nome de todos que compareceram a um de seus bailes.

    Jimmy's Hall é definitivamente um filme com viés de esquerda, com um tom por vezes um tanto Maniqueísta, mas que consegue retratar bem a realidade da época e o poderio da igreja que era capaz de causar boicotes a aqueles que não concordassem com alguma doutrina e causar pânico na população através da alegoria do "castigo divino".

    O filme foi criticado por muitos durante sua exibição em Cannes. Embora discorde de críticas sobre o enredo ser mais um "enlatado" pseudo-político, é fato que a biografia não tem nada de mais. A história de Jimmy Graltone sua luta para libertar a população daquele lugar de amarras conservadoras que condenam até a mais inocente das danças e outros tipos de divertimento, são louváveis, mas a montagem do longa segue a mesma linha de outras biografias recentes, como O Jogo Da Imitação e Invencível, caindo em clichês do gênero como relações amorosas mal sucedidas, trilha melodramática e a impulsividade de seus heróis.

    Um detalhe curioso é que o personagem é por vezes acusado de ser comunista e de fato é reconhecido como um de seus líderes por algumas biografias, mas em momento algum o vemos citar o termo ou pregá-lo. Talvez essa seja uma tentativa de suavizar a chegada do filme no mercado americano.

    É muito difícil que uma biografia consiga ser excepcional, afinal é uma de uma história real, mas o que diferencia uma das outras é o olhar do diretor sobre esse retrato e sua forma de conduzir a narrativa que tem em mãos. Jimmy's Hall consegue transpor com bastante clareza o panorama da sociedade e do cenário político irlandês da época, mas falha na missão de sair do lugar comum.

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