Pôster de Jogador Número 1

JOGADOR Nº1

(Ready Player One)

2017 , 140 MIN.

13 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 29/03/2018

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Steven Spielberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Eric Eason, Ernest Cline, Zak Penn

    Produção: Dan Farah, Donald De Line, Kristie Macosko Krieger, Steven Spielberg

    Fotografia: Janusz Kaminski

    Trilha Sonora: Alan Silvestri

    Estúdio: Amblin Entertainment, De Line Pictures, Dreamworks

    Montador: Michael Kahn, Sarah Broshar

    Distribuidora: Warner Bros.

    Elenco

    Amanda LaCount, Amy Clare Beales, Armani Jackson, Asan N'Jie, Ben Mendelsohn, Britain Dalton, Cara Pifko, Carter Hastings, Daniel Tuite, Daniel Zolghadri, David Barrera, Elisa Perry, Fran Targ, Gem Refoufi, Hannah John-Kamen, Jacob Bertrand, Jacqueline Ramnarine, Jaeden Bettencourt, Jorge Leon Martinez, Julia Nickson, Julian Edwards, Kae Alexander, Kathryn Wilder, Kiera Bell, Kit Connor, Laurence Spellman, Lena Waithe, Letitia Wright, Lynne Wilmot, Mandy June Turpin, Mark Rylance, Mckenna Grace, Michael Wildman, Nasir Jama, Neet Mohan, Olivia Cooke, Philip Zhao, Ralph Ineson, Rona Morison, Sarah Sharman, Simon Pegg, Susan Lynch, Sydney Brower, T.J. Miller, Tye Sheridan, Violet McGraw, Win Morisaki

  • Crítica

    26/03/2018 16h00

    Por Daniel Reininger

    Jogador Número 1

    Quem leu o livro, sabe que Jogador Nº1 tem uma história simples e a graça mesmo são as diversas referências da cultura pop e situações interessantes vividas por personagens carismáticos. É muito divertido, mas não é profundo. Pelo trailer, o filme parecia ser ainda mais raso e apenas unir um monte de easter eggs para fazer a alegria do espectador, então foi uma surpresa descobrir que, além disso, o filme é realmente bom!

    Steven Spielberg criou um belo filme de ação que funciona tanto no mundo real quanto no virtual. O longa tem a marca dos melhores filmes do diretor, leve, inteligente, com sequências emocionantes e uma aventura divertida de acompanhar.

    O longa se passa parte em Columbus, Ohio, e parte no mundo virtual do jogo Oásis. O protagonista é Wade Watts (Tye Sheridan), que dedica sua vida a procurar o easter egg criado pelo idealizar desse mundo virtual, James Halliday (Mark Rylance), que dará controle do jogo, além da fortuna do homem mais rico do mundo. É um desafio interessante, potencialmente realista, já que, em alguns anos, podemos estar vivendo em um mundo dominado por realidade virtual, e que garante alguns grandes momentos nas telonas.

    A verdade é que a caça ao tesouro é o motivo perfeito para uma aventura leve estilo Sessão da Tarde, algo como Os Goonies, enquanto os temas reais do filme são a dependência da tecnologia, a liberdade individual e a luta contra uma opressão disfarçada de liberdade.

    São temas interessantes, mas o longa está longe de aprofundá-los. E vamos falar a real, procurar uma discussão absurdamente relevante em Jogador Nº1 (livro ou filme) é um erro, apesar de algumas críticas estarem presentes e serem importantes para proporcionar relevância ao tema, o lance aqui é a diversão e nostalgia.

    O "mal" ganha vida na pele da Innovative Online Industries (IOI), liderados por Nolan Sorrento (muito bem interpretado por Ben Mendelsohn), empresa de tecnologia concorrente que luta para controlar o Oásis pelo dinheiro e poder. Eles basicamente usam a criação de Halliday para escravizar pessoas e lucrar alto. Obviamente, comparações com corporações da vida real são óbvias, mas extrapoladas para um futuro distópico e isso funciona muito bem para criar um antagonista realista, porém cruel.

    Ajuda muito o filme ter personagens carismáticos e atuações realmente boas do lado dos mocinhos e dos bandidos. Só Hannah John-Kamen, famosa pela série Killjoys, poderia ser menos robótica, mas mesmo sua frieza é justificada dentro de sua missão de oprimir a liberdade das pessoas na vida real.

    Dentro do Oásis, as dublagens funcionam muito bem e o único problema é a confusão na hora de misturar a ótima trilha-sonora com cenas de muita ação, deixando o áudio um pouco confuso. Já o visual, especialmente em Imax, é simplesmente incrível.

    Melhor de tudo, as cenas de perseguições e batalhas são inesquecíveis. Spielberg deve ter adorado a chance de enlouquecer com os efeitos visuais sem se preocupar com realismo. Ele abusa do movimento, gravidade e manipula o tempo e espaço. Apesar da potencial confusão visual para entender as batalhas devido à velocidade e da quantidade de personagens presentes, tudo é muito claro e compreensível.

    A cena inspirada em um famoso filme de terror foi uma bela sacada, afinal usa conhecimento comum para colocar personagens em situações inusitadas e é para vivenciar momentos como esse que queríamos um filme de Jogador Nº1.

    Como já deve ter ficado claro, Oásis é um lugar fantástico, onde as leis da física podem ser manipuladas de formas inusitadas e os personagens são criativos, isso quando não saem diretamente de filmes, games, quadrinhos, séries que amamos. Robocop, Marv, Street Fighter, Starcraft, Overwatch, Battletoads, Jurassic Park, Tomb Raider, Mass Effect, Embalos de Sábado à noite, Akira, De Volta para o Futuro, Halo, King Kong, DC Comics, Firefly e muito mais aparece no mundo virtual de forma natural. O fato do vilão usar um visual inspirado em Superman é outro detalhe bem interessante.

    Como nem tudo é perfeito, o longa falha ao usar narração em off, obviamente desnecessária, e o desenvolvimento dos personagens é raso, embora esteja lá. Além disso, não fica claro exatamente porque a situação mundial de 2045 é tão desesperadora a ponto das pessoas dependerem do Oásis.

    Sim, a pobreza e a escravidão por dívidas são bem exploradas, mas como funciona esse mundo? Existe um governo ou só as corporações dominam? Em que momento as coisas deram tão errado? Como as pessoas lidam com essa obsessão virtual? E é possível ganhar dinheiro real no Oásis para poder abrir mão da vida real como parece o caso da maioria dos jogadores? São questões que eu gostaria de ver exploradas e é preciso que cada um preencha as lacunas para tudo fazer sentido.

    Mas exatamente não aprofundar essas questões faz o longa funcionar tão bem e ser leve. O longa não se leva a sério demais, as piadas são no ponto certo, a trama se desenrola bem, a diversão é constante, as referências um prato cheio para qualquer apreciador de cultura pop. Apesar de não seguir exatamente o livro, adapta muito bem a ideia central da obra de Ernest Cline, adicionando uma necessária sutileza para fazer o filme funcionar muito bem.

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