JOGANDO COM PRAZER

JOGANDO COM PRAZER

(Spread)

2009 ,

16 anos

Gênero: Comédia Romântica

Estréia: 25/09/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Mackenzie

    Equipe técnica

    Roteiro: Jason Dean Hall, Paul Kolsby

    Produção: Ashton Kutcher, Jason Goldberg, Peter Morgan

    Fotografia: Steven Poster

    Trilha Sonora: John Swihart

    Estúdio: Barbarian Films, Katalyst Films, Oceana Media Finance

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Anne Heche, Ashton Kutcher, Margarita Levieva, Maria Conchita Alonso, Sebastian Stan, Sonia Rockwell

  • Crítica

    24/09/2009 04h12

    Filmes que retratam uma tomada de consciência do homem libertário não são novidade. São, na verdade, bem batidos. Normalmente, essa tomada de consciência vem depois de uma maré de azar, motivada por diversos revezes com mulheres, e uma incrível falta de aptidão para administrar esses revezes. Em Jogando com Prazer, vemos o mesmo movimento.

    Ou seja, David Mackenzie (de Paixão Sem Limites), o diretor, está navegando em águas calmas, tranquilas, por onde muitos já passaram. Talvez a metáfora perfeita seja outra. Trata-se de montar num cavalo já domado. Como outros já caíram, e feio, desse cavalo, Mackenzie pôde aprender com os erros alheios e trotar seguramente por paisagens amistosas.

    Deixando os floreios de lado, é necessário dizer que Ashton Kutcher se mostra, mais uma vez, como um ótimo ator que não consegue driblar um personagem mal construído. Como o playboy que recebe o que a vida pode lhe dar de melhor e não faz mais nada que justifique sua presença no mundo, ele até que se dá bem.

    É na queda que a coisa entorta. Kutcher não consegue dar a densidade que, no papel, o personagem não parece possuir. Sua queda é brusca, pouco factível, inacreditável, de verdade. mas ele continua impávido, um bonecão de porcelana cujo sofrimento nos é distante, inatingível. Má escolha do ator? Nem tanto. Como já disse, Kutcher está bem, dentro dos limites que o personagem impõe. O problema é mesmo a modulação de um processo. Vamos da glória à sarjeta com uma rapidez que não permite sequer uma empatia com sua queda.

    Na estética, Mackenzie acompanha esse processo tornando o filme cada vez mais acadêmico, quadradinho, com a direção funcional. O que é um efeito e tanto, considerando que no começo vemos um plano-sequência de quatro minutos com a câmera entrando com ele em uma mansão onde rola uma festa, perdendo-o, encontrando-o em outro andar, e saindo com ele mais tarde, depois de vários flertes e uma conquista. E na primeira metade ainda temos mais alguns momentos que se aproximam dessa ousadia.

    Somando essa mudança radical de estilo ao decorrer nebuloso da história, que definitivamente surpreende no final, temos, enfim, um filme que, se não descobre novos rumos para um tipo de cinema mais arriscado e (palavra tabu hoje em dia) adulto, ao menos sai com uma dignidade e tanto pelas opções tomadas dentro de um quase inaceitável aprisionamento temático. Até nisso o filme surpreende. Quando se afunda no esquematismo das derrocadas masculinas do cinema americano, encontra meios de sair de maneira honrada do lamaçal. Um diretor limitado não conseguiria isso.

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