JOGO SUBTERRÂNEO

JOGO SUBTERRÂNEO

(Jogo Subterrâneo)

2004 , 107 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Roberto Gervitz

    Equipe técnica

    Roteiro: Roberto Gervitz

    Produção: Francisco Ramalho Jr.

    Fotografia: Lauro Escorel

    Trilha Sonora: Luiz Henrique Xavier

    Elenco

    Daniela Escobar. Participação especial de Maitê Proença, Felipe Camargo, Júlia Lemmertz, Maria Luísa Mendonça

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Grandes questões filosóficas tomam conta da humanidade, mas, talvez, as mais enigmáticas e insolúveis de todas estão relacionadas ao amor. Tão complicado quanto descobrir o sentido da vida é saber, afinal, o que é o que chamamos de amor. Acreditando nas almas gêmeas e todas essas coisas que lemos por aí e, também, querendo sentir algo que ultrapasse a dor e a agonia, procuramos no outro uma razão - qualquer uma. Assim como Martín (Felipe Camargo), protagonista de Jogo Subterrâneo, longa de Roberto Gervitz cujo roteiro foi inspirado no conto Manuscrito Encontrado Em Um Bolso, escrito por Julio Cortázar.

    Martín é um homem solitário que, aparentemente cansado dos jogos amorosos que nos perseguem e machucam a vida inteira, resolve criar um jogo para encontrar a mulher de sua vida. Em um mapa das linhas do metrô paulistano pregado na parede de seu quarto, cria um trajeto qualquer. Nos vagões do trem, observa as passageiras. Quando uma delas chama sua atenção, a segue com o olhar. Se ela cumprir o mesmo trajeto que ele imaginou, torna-se candidata ao cargo. O jogo beira o doentio, mas foi a forma encontrada por Martín para se proteger de eventuais erros nessa procura incessante.

    Algumas mulheres acabam entrando em sua vida nessas idas e vindas nas linhas do metrô. Primeiro, temos a tatuadora Tânia (Daniela Escobar). Ela é mãe da pequena Victória (Thávyne Ferrari), uma menina autista que, aparentemente incapaz de demonstrar afeição até mesmo pela mãe, desenvolve uma belíssima relação com Martín baseada na música. Temos também Laura (Julia Lemmertz), uma escritora cega que o protagonista sempre encontra em suas viagens de metrô. Mas quem realmente muda os rumos de sua história é Ana (Maria Luisa Mendonça). Misteriosa, ela tira Martín de sua rota, anula todas as regras de seu jogo e faz o contraponto em sua vida. Aos poucos ela se revela ao protagonista de forma a fazer com que ele experimente, finalmente, todo esse turbilhão de sentimentos que vem na rabeira daquilo que chamamos de paixão.

    Enquanto Martín tenta criar disciplinas para conseguir viver, Ana mostra-se uma mulher que quer quebrar todas elas. Cansada das convenções, ela procura em Martín o tão desejado "porto seguro". Sempre fugindo de algo ou alguém, ela só quer uma pessoa que não faça perguntas nem cobranças, e é em Martín que encontra isso. Logo os dois estabelecem uma relação fora das convenções, sem regras e futuro definido. Ana é a ruptura no marasmo encontrado na vida do protagonista e é exatamente na quebra de suas regras que ele encontra o que esperava. À medida que o longa avança, Jogo Subterrâneo traça uma verdadeira ode à força da vida. Quando o palco construído por Martín para sua própria vida começa a desabar, suas regras vão para o espaço. É exatamente aí que a ação tão desejada começa a acontecer de forma intensa, arrebatadora.

    Apoiado por uma bela trilha sonora, fortes atuações e uma direção firme, Jogo Subterrâneo ganha a força daqueles filmes que questionam pontos essenciais na vida de qualquer ser humano pensante de forma a levar o espectador a lembrar que a vida não é tão simples a ponto de aceitar regras para prosseguir. Há circunstâncias, há pessoas, há interação, há vida. Ainda bem.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus