Críticas

Veja o que esperar das novidades nas telonas e estreias com os comentários da nossa equipe especializada.

JOGOS VORAZES

(The Hunger Games, 2012)

Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa
21/03/2012 22h00
por Roberto Guerra

Existe toda uma estratégia de marketing tentando vender o longa Jogos Vorazes como o início de uma nova franquia adolescente de sucesso depois dos bem-sucedidos Harry Potter e Crepúsculo. Compreensível. De fato o filme tem pontos de comparação com as séries citadas, incluindo o fato de ser uma adaptação de livro campeão de vendas. No entanto, a comparação deve ser vista apenas como uma sacada comercial. Jogos Vorazes tem ingredientes em sua trama que o distanciam de um mero blockbuster de verão atrás de receita.

Dirigido por Gary Ross (de Seabiscuit – Alma de Herói), a produção tem os elementos básicos para conquistar o grande público: aventura, corre-corre, momentos emocionantes e, claro, uma pitada de romance. No entanto, vai além ao lidar com temas como banalização da violência, espetacularização da sociedade, auto-sacrifício e mortalidade de forma sensível e evitando o sensacionalismo - também é alvo de críticas no filme.

De cara é possível notar um dos pontos fortes do filme: a acertada escolha de Jennifer Lawrence para o papel de Katniss Everdeen, personagem principal. Ela, que despontou em Inverno da Alma, sucesso independente de 2010 que lhe rendeu indicação ao Oscar, acrescenta muito ao filme com seu desempenho. Em várias ocasiões, páginas inteiras de monólogo interior são supridas com um olhar de Lawrence e a sensibilidade do diretor para captar o momento. A câmera está sempre perscrutando a atriz, que transita da doçura ao medo, passando pelo tom desafiador, com desenvoltura.

Na trama, 24 crianças e adolescentes precisam lutar até a morte em um evento anual televisionado na nação chamada Panem, o que restou dos Estados Unidos num futuro distante. Depois de um levante contra a capital, agora todos os anos os distritos têm de sacrificar um casal de jovens representantes de sua região. Eles são chamados de “tributos” e devem lutar até a morte numa competição, os jogos vorazes do título.

O jogo é cruel e desumano, mas visto pelos cidadãos como o evento do ano: um misto de reality show, jogos romanos e American Idol. O espetáculo de horror é realizado na capital, que mais parece o “país das maravilhas”. Por sinal, há até uma versão feminina do Chapeleiro Maluco interpretada por Elizabeth Banks. Sua personagem é a encarregada de fazer a seleção dos jovens no Distrito 12, de onde vem Katniss Everdeen.

Jogos Vorazes tem uma história convincente, algo a dizer e boas performances. O sempre eficiente Stanley Tucci está impagável no papel de uma espécie de Pedro Bial (sem os arroubos poéticos) do reality show. Diferente de outras adaptações de romances adolescentes de sucesso, a equipe criativa de Jogos Vorazes produziu algo que funciona de fato como um filme, não apenas como adaptação de um livro. Não existe a necessidade de uma leitura obrigatória como passaporte para "entrar" no longa.

Séries literárias que vendem milhões de exemplares como a trilogia de Suzanne Collins, quando adaptadas para o cinema, tendem a agradar somente os aficionados pela obra. Os não iniciados raramente se empolgam, como aconteceu com Harry Potter: ótima franquia, mas para quem leu os livros. No caso de Jogos Vorazes o romance foi esquadrinhado, expandido e adaptado de forma inteligente e envolvente. Compará-lo com a saga Crepúsculo soa como piada, coisa de marqueteiro.


FAVORITAR

crítica NÃO FAVORITADA

COMPARTILHE:

COMENTAR

comments powered by Disqus