JORGE MAUTNER - O FILHO DO HOLOCAUSTO

JORGE MAUTNER - O FILHO DO HOLOCAUSTO

(Jorge Mautner - O Filho do Holocausto)

2012 , 93 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 01/02/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Heitor D’Alincourt, Pedro Bial

    Equipe técnica

    Roteiro: Heitor D'Alincourt, Pedro Bial

    Produção: Canal Brasil

    Fotografia: Gustavo Habda

    Trilha Sonora: Jorge Mautner

    Distribuidora: H2O Filmes

  • Crítica

    19/01/2013 20h24

    Dirigido pelo jornalista Pedro Bial em parceria com Heitor D'Alincourt, Jorge Mautner – O Filho do Holocausto é mais um bom exemplar da recente safra de documentários musicais brasileiros. Seu formato é tradicional, baseado em imagens de arquivo e entrevistas, mas Bial e D’Alincourt conseguiram dar ao filme montagem enxuta e abordagem ampla que faz o espectador entrar no longa mesmo não sendo fã do músico. Para quem não conhece, o filme traz o prazer da descoberta.

    Bial resolveu levar a musicalidade de Mautner ao cinema depois de encantar-se com a autobiografia do artista e descobrir que muitas pessoas não o conheciam, mesmo os mais velhos. "O nível de desconhecimento a respeito do Mautner me surpreendeu. O Jorge estava muito à margem do que merecia", disse-me o diretor durante o Festival de Cinema de Pernambuco em 2012. Mautner, inclusive, lê diversos trechos do livro para a câmera no início do filme, algo dispensável e um tanto fastidioso.

    De forma linear e sem supresas estéticas ou narrativas, a produção retrata a trajetória do músico, escritor e filósofo Jorge Mautner por meio de depoimentos dele, de pessoas próximas, imagens de arquivo e um show gravado em estúdio especialmente para o longa, com participações de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Já nos primeiros minutos, o filme prende o espectador por estabelecer expressivo recorte da trajetória do compositor e cantor cuja vida é cinematográfica por excelência.

    Filho de pais que fugiram do nazismo na Europa, o artista multifacetado foi membro do Partido Comunista Brasileiro e exilado político nos EUA e Inglaterra, onde conheceu os tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil. Com eles, chegou a rodar um filme, chamado O Demiurgo, cujas cenas são exibidas entre as imagens de arquivo do documentário, que inclui também fragmentos de sua participação em um filme de Rogério Sganzerla.

    Jorge Mautner – O Filho do Holocausto cumpre o seu papel ao levar o espectador não só a conhecer os fatos marcantes da vida do músico, mas também a mente criativa do artista. Há também o Mautner homem, com suas fraquezas, que vêm à tona principalmente na conversa entre ele e sua filha, Amora Mautner, na qual esta rememora a infância insólita e traumática ao lado do pai incomum.

    O filme de Bial e D'Alincourt é importante por jogar luz sobre a obra do autor da “Mitologia do Kaos” e da “Teoria da Amálgama” e eficiente por ser palatável e aberto ao público em geral, longe do formato hermético para fãs. Vale destacar também a marcante trilha sonora composta de dezenas de canções executadas com competência pela banda formada por músicos como Nelson Jacobina (grande parceiro de Mautner, morto em 2012 ), Domenico Lancelotti, entre outras feras.


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