Pôster do filme Juan dos Mortos

JUAN DOS MORTOS

(Juan de los Muertos)

2011 , 100 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 21/06/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alejandro Brugués

    Equipe técnica

    Roteiro: Alejandro Brugués

    Produção: Claudia Calvino, Gervasio Iglesias, Inti Herrera

    Fotografia: Carles Gusi

    Trilha Sonora: Julio de la Rosa

    Estúdio: Ascot Elite Home Entertainment, Avalon Pictures, Entertainment One, Fine Films, Focus World, Londra Films P&D, Metrodome Distribution, Outsider Pictures, Pandastorm Pictures

    Montador: Mercedes Cantero

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Alexis Díaz de Villegas, Andrea Duro, Andros Perugorría, Antonio Dechent, Blanca Rosa Blanco, Eliecer Ramírez, Elsa Camp, Eslinda Núñez, Jazz Vilá, Jorge Molina, Juan Miguel Mas, Luis Alberto García, Manuel Herrera, Pablo Alexandro González Ramy, Susana Pous

  • Crítica

    19/06/2013 04h40

    Desde os tempos do mestre George Romero a figura do zumbi é usada como metáfora à deterioração da sociedade de consumo. Nesta interessante comédia cubana os mortos-vivos em decomposição são, ao contrário, uma alegoria ao socialismo de estado decadente. Ao "novo homem" preconizado pela Revolução Cubana que, segundo revelou o diretor Alejandro Brugués a este crítico, é um conceito político que perdeu completamente o significado para a população do país hoje.

    Filmado com capital espanhol e equipe mista, Juan de los Muertos fustiga justamente a imagem desse homem moldado pelo espírito revolucionário. Um diálogo logo no início do filme deixa claro ao espectador o caráter e disposição dos heróis. Pescando num bote improvisado, um deles sugere aproveitar a embarcação e fugir para Miami. No que o outro rebate de pronto: "Em Miami a gente vai ter de trabalhar. Em Cuba, basta pescar".

    Juan e seu melhor amigo, Lazaro, são dois típicos vagabundos, perfil inimaginável para protagonistas de um longa cubano anos atrás. Logo após travarem o diálogo acima, pescam um zumbi. Não demora muito para os mortos-vivos se espalham por Havana chegando mesmo a interromper uma reunião do Comitê de Defesa da Revolução. Não demorar muito para o governo classificar a invasão como uma investida imperialista.

    Aproveitando-se do caos, os oportunistas Juan e Lazaro viram empreendedores e, ao melhor espírito de livre-iniciativa, montam uma empresa de extermínio de zumbis. Passam, então, a vender proteção aos moradores desesperados, que deve ser paga em dólares, claro. Nada de pesos cubanos.

    Como o leitor já pôde perceber, o enredo de Juan de los Muertos é só desculpa para satirizar diferentes aspectos da realidade cubana. Os zumbis que perambulam por Havana são dissidentes treinados, dirigentes institucionais e a população bitolada por décadas de catecismo revolucionário. A sátira é hilária, mas igualmente contundente ao revelar um país que clama por ser contaminado pela modernidade, pelo vírus zumbi que os colocará em parelha com o resto do mundo.

    Uma ressalva: o subtexto e a crítica social são fortes, mas em nenhum momento Juan de los Muertos deixa de divertir por isso. Bons filmes de zumbi costumam ter contagens elevadas de mortes e Juan de los Muertos não economiza. O baixo orçamento também não prejudica em nada a produção, que tem excelente e criativo trabalho de direção de arte e não fica nada a dever aos melhores filmes do gênero.

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