JUÍZO

JUÍZO

(Juízo)

2007 , 90 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 14/03/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Maria Augusta Ramos

    Equipe técnica

    Roteiro: Maria Augusta Ramos

    Produção: Diler Trindade

    Fotografia: Guy Gonçalves

    Trilha Sonora: José Moreau Louzeiro, Pedro Sá Earp

    Elenco

    Alessandro Jardim, Daniele Almeida, Guilherme de Carvalho, Ighor dos Santos Villela, Isabela Cristina Durães, Karina Lopes, Maicon da Silva Singh, Marco Aurélio Sant'Ana, Wilson dos Santos

  • Crítica

    14/03/2008 00h00

    Cru e envolvente. Esses são os adjetivos que melhor definem longa-metragem Juízo, de Maria Augusta Ramos. Em tempos de crítica a nossa realidade social, com filmes polêmicos como Tropa de Elite, a opção pelo simples, mas não pelo simplório, agrada.

    Juízo aborda a trajetória de menores infratores perante a lei, que estão em julgamento por roubo, tráfico ou homicídio. Como a identificação desses garotos é vedada judicialmente, no filme eles são representados por jovens não infratores, mas que vivem em condições sociais semelhantes. No entanto, todos os demais personagens do longa-metragem, como juízes, promotores e familiares, são reais. As cenas foram filmadas durante audiências na 2ª Vara da Justiça do Rio de Janeiro e visitas do Instituto Padre Severino, local de reclusão dos menores infratores.

    Para o elenco, foram escolhidos meninos e meninas cuja realidade retratasse uma pequena parcela da mesma vivida por milhares de crianças e adolescentes que não possuem base educacional, econômica e familiar. Alguns roubam para sustentarem seus filhos, outros matam por terem sido espancados pelo pai ou traficam por vislumbrarem o ganho de status no universo em que estão inseridos. A partir de poucas cenas de julgamento, cruas e simples, Juízo consegue suscitar grandes questões e estabelecer complexos personagens da realidade brasileira atual.

    O recurso de utilização de outros adolescentes na representação dos menores que foram julgados podia soar forçado, mas a edição e montagem da própria diretora e de Joana Collier fazem com que tudo ocorra de forma natural. A figura da juíza, Luciana Fiala, deixa transparecer a consciência sobre as possibilidades da Justiça em salvar aqueles menores são ínfimas, mas, mesmo assim, usa ironias e sermões incisivos em seus interrogatórios. O espectador vê certa esperança nessa juíza, mas também se depara com frases nas quais ela confirma a realidade brasileira totalmente distorcida, como quando, por exemplo, Luciana diz a um garoto que, em vez roubar, poderia vender balas nas ruas. O equivocado também passa a ser uma opção.

    O ritmo do longa é ditado pela esperança dada ao espectador e retirada logo em seguida e mesmo a falta de dinamicidade em algumas cenas é quebrada pela força da história e do depoimento de cada adolescente. Além disso, as cenas das celas das instituições e das favelas ampliam o universo com o qual o documentário dialoga. Cada menor recebe sua sentença, com a possibilidade de acompanhamento e melhoria de sua condição psíquica e social, mas o processo de reabilitação não é eficaz. É como se Juízo simulasse sutilmente no espectador o processo de perda de esperança daquele jovem que ali está.

    É nesse sentido que defendo o simples como eficaz. Não que produções caprichadas como Cidade de Deus, Cidade dos Homens - O Filme e Tropa de Elite não sirvam para uma análise mais profunda da nossa realidade. Mas, às vezes, o clima ficcional, o peso de atores famosos e a trilha sonora elaborada seduzem o espectador de uma maneira que, depois de algum tempo, a essência reflexiva do filme acaba se perdendo.

    Juízo, seleção oficial do Festival Internacional de Cinema de Locarno, é o segundo filme de Maria Augusta Ramos, que se apresenta como uma crítica ao sistema penal brasileiro. Em 2004, a cineasta lançou Justiça, que recebeu nove prêmios internacionais de Melhor Filme, entre eles: Grand Prix no Festival de Cinema Visions du Réel e La Vague d'Or no Festival Internacional de Cinema de Bordeaux, na França.

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