KABOOM

KABOOM

(Kaboom)

2010 , 86 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 07/06/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gregg Araki

    Equipe técnica

    Roteiro: Gregg Araki

    Produção: Andrea Sperling, Gregg Araki, Pascal Caucheteux

    Fotografia: Sandra Valde-Hansen

    Trilha Sonora: Mark Peters, Robin Guthrie, Ulrich Schnauss, Vivek Maddala

    Estúdio: Desperate Pictures, Next World, Super Crispy Entertainment, The, Why Not Productions, Wild Bunch

    Distribuidora: Vinny Filmes

    Elenco

    Carlo Mendez, Chris Zylka, Christine Nguyen, Haley Bennett, James Duval, Jason Olive, Juno Temple, Kelly Lynch, Michael James Spall, Nicole LaLiberte, Roxane Mesquida, Thomas Dekker

  • Crítica

    06/06/2012 16h07

    Enquadrando-se naquele gênero de filme difícil de ser rotulado em algum gênero de filme, Kaboom exige um grande esforço para ser apreciado ou, pelo menos, aturado. Isso porque sua estrutura, roteiro e dinâmica servem a um projeto de provocação e cinismo nada fácil de ser digerido. Tudo fruto da mente do diretor e roteirista Gregg Araki, conhecido por seus filmes independentes de temática gay e qualidade duvidosa.

    Smith (Thomas Dekker) é um jovem gay estudante de cinema, que tem fantasias eróticas com seu colega de quarto hétero. Mas ele também transa com garotas e é ao voltar para seu dormitório, após fazer sexo com uma delas, que presencia uma estarrecedora e surreal cena de assassinato, cometido por homens usando máscaras de animais. Ao menos é o que ele pensa, já que desmaia logo em seguida e, ao acordar, tem dúvidas sobre o que viu. Especialmente porque a garota assassinada é idêntica a uma que aparece em um sonho recorrente seu.

    Intrigado com o mistério, Smith pede ajuda à sua melhor amiga, Stella (Haley Bennett), uma lésbica que está saindo com uma feiticeira com poderes sobrenaturais. Enquanto busca pistas sobre o que ocorreu, Smith experimenta o sexo casual com homens e mulheres. Também passa a ser perseguido por sujeitos com máscaras de animais, ao mesmo tempo que ajuda a amiga Stella a fugir da obsessiva lésbica-bruxa. Em meio a tudo isso, descobre os planos de uma seita secreta que planeja o fim do mundo e está ligada a seu passado e a seu pai, morto num acidente de carro, quando ainda era criança.

    Este resumo da ópera dá uma ideia do que esperar de Kaboom e sua insana espiral de tipos e situações. Mas é preciso acrescentar que o diretor tempera tudo isso com um visual e ritmo de seriado televisivo, além de um pouco de escatologia e algumas cenas de sexo. A mistura não é exatamente digestiva, já que alguns excessos e a ausência de uma boa amarração no andamento da trama fazem enjoar rapidamente. Portanto, o risco de abandono da sala é grande, como se viu em 2010, quando o filme foi exibido (fora de competição) no Festival de Cannes.

    Cabe reforçar, no entanto, que o diretor caminha pelas vias da provocação e da desconstrução de seus temas recorrentes. Claro que nem sempre acerta, mas vale dizer que o surrealismo faz parte de suas referências, como fica claro em uma cena do filme que faz referência ao cinema de Luis Buñuel. Além da temática gay – aqui tratada muitas vezes de forma banal e rasa – está também presente sua sátira às séries televisivas de comédia e dramas adolescentes.

    O resultado de tudo é um filme esquisito, criado dentro de um propósito que parece claro para o diretor, mas muito confuso para quem o assiste. Não se pode, porém, dizer que o filme é irregular, já que a irregularidade é o elemento principal da construção do filme. Ou seja, é proposital. Mesmo sendo o espírito provocativo algo desejável em qualquer cinema, no caso deste exemplar de Gregg Araki a mão pesada fez o molho azedar. Por isso, a digestão de Kaboom não é nada fácil.

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