KEDMA

KEDMA

(Kedma)

2002 , 100 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Amos Gitai

    Equipe técnica

    Roteiro: Amos Gitai, Marc Weitzmann, Marie-Jose Sanselme, Mordechai Goldhecht

    Produção: Alain Mamou-Mani, Amos Gitai, Laurent Truchot, Marin Karmitz

    Fotografia: Yorgos Arvanitis

    Trilha Sonora: David Darling, Manfred Eicher

    Estúdio: Agav Hafakot, arte France Cinéma, BIM, MK2 Productions, MP Productions, R&C Produzioni

    Elenco

    Andrei Kashkar, Blair Pootnoi, Dalia Shachaf, Gal Altschuler, Helena Yaralova, Igor Mirkukhanof, Juliano Mer-Khamis, Keren Ben Rafael, Liron Levo, Menachem Lang, Merzei Kumkin, Moni Moshonov, Rawda Suleiman, Roman Hazanowski, Sasha Chernichovsky, Sendi Bar, Tomer Russo, Uzi Rosenblat, Veronica Nicole, Yussuf Abu-Warda

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Confesso que não sou um grande entusiasta da obra do badalado diretor israelense Amos Gitai. Quem acompanha minhas críticas no Cineclick sabe disso. Mas por outro lado também confesso que gostei muito de Kedma, o trabalho mais recente do cineasta a chegar no Brasil. Não exatamente pelo seu apuro técnico nem pela sua linguagem cinematográfica (na verdade, ambos bem pouco atrativos) mas pela coragem de Gitai. Num período extremamente conturbado para as relações Israle/Palestina, o roteirista/diretor ousou fazer um filme imparcial, sem puxar a brasa para a sardinha judia.

    Kedma é o nome do navio que levou centenas de imigrantes judeus à Palestina em maio de 1948, pouco antes da criação do Estado de Israel. E é o ponto de partida de tudo. Tanto do filme como do próprio Estado. As primeiras cenas dão a impressão que veremos - pela enésima vez - mais um filme/lamentação sobre judeus que perderam tudo na Segunda Guerra e que agora andam vagando pelo planeta, sem terra nem nada. Felizmente trata-se apenas da primeira impressão. Aos poucos, Gitai vai descortinando diante dos olhos do espectador uma breve mas consistente história da gênese dos conflitos crônicos daquela região. Logo no desembarque, os judeus são obrigados a fugir das tropas britânicas que controlam o lugar. Transformam-se, automaticamente, em fugitivos dispersos. Durante a peregrinação até um pedaço de terra que lhes pareça seguro, eles cruzam com árabes - também fugitivos - se hostilizam mutuamente, expões suas feridas, como que prenunciando as décadas de conflitos que se seguirão. Tudo de forma muito crua e árida, como convém ao desértico lugar.

    O melhor de tudo, porém, fica para o final. Sem querer estragar o filme - mesmo porque esta história parece não ter fim - Gitai corajosamente escreve para um de seus personagens principais - um judeu - um energético monólogo de exasperada expiação. Aos gritos e babando, o homem se descontrola, dizendo que a história do povo judeu sequer deveria ser contada, porque ela foi feita pelos Góis (não judeus) e não por eles próprios. E que a única vocação de seu povo parece mesmo ser a do eterno sofrimento, que "ninguém no mundo sofre melhor do que nós", exclama ironicamente. Um mea culpa que levanta, entre outros, o controvertido tema da omissão e do conformismo judaicos perante a dominação nazista. Temas que nem os próprios judeus gostam de discutir.

    Desta vez Gitai foi fundo. O que com certeza desagradou seu próprio país. Tanto que o filme ganhou um único prêmio no "Oscar" de Israel: o de melhor figurino. Em contrapartida, Kedma foi um dos preferidos da crítica na mostra de São Paulo de 2002. Merece ser conferido.

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