KILLER JOE - MATADOR DE ALUGUEL

KILLER JOE - MATADOR DE ALUGUEL

(Killer Joe)

2011 , 108 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/03/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • William Friedkin

    Equipe técnica

    Roteiro: Tracy Letts

    Produção: Nicolas Chartier, Scott Einbinder

    Fotografia: Caleb Deschanel

    Trilha Sonora: Tyler Bates

    Estúdio: ANA Media, Voltage Pictures, Worldview Entertainment

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Blain Sanchez, Carol Sutton, Charley Vance, Danny Epper, Emile Hirsch, Geraldine Glenn, Gina Gershon, Gralen Bryant Banks, Gregory C. Bachaud, Jeff Galpin, Julia Adams, Juno Temple, Lynette Zumo, Marc Macaulay, Matthew McConaughey, Scott A. Martin, Sean O'Hara, Thomas Haden Church, Tony Severio

  • Crítica

    05/03/2013 13h50

    Por Daniel Reininger

    William Friedkin, diretor de O Exorcista, prova com Killer Joe - Matador de Aluguel que ainda sabe como chocar sua audiência. Seu filme noir ambientado no Texas dos dias atuais é uma visão ultrajante e violenta do sul dos Estados Unidos e um dos trabalhos mais incômodos do diretor de 77 anos.

    O tal Joe do título é Matthew McConaughey, excepcional no papel de um detetive corrupto que faz bico como assassino de aluguel nas horas vagas. Ele é contratado por Chris Smith, jovem que tem uma divida com traficantes e decide matar sua mãe para conseguir o dinheiro do seguro de vida. Para isso, pede ajuda de seu pai, que decide entrar no rolo. Chris só não quer sua irmã Dottie (Juno Temple) a par do plano, porém Joe só aceita o trabalho com a condição de ter uma noite a sós com a mocinha.

    O roteiro, baseado na peça escrita por Tyler Bates, é simples e começa como uma comédia de humor negro sobre os estereótipos do sul dos EUA. Entretanto, aos poucos a transformação visceral do personagem de McConaughey deixa tudo sombrio e tenso. Logo, o filme se torna um conto de violência e opressão, sem abandonar o tom de sátira.

    O elenco é crucial para manter o equilíbrio entre comédia e drama. McConaughey banca o típico policial corrupto e sedutor que aos poucos se revela como psicopata perverso e doentio. Haden Church rouba a cena no papel do pai idiota e omisso e Gina Gershon manda muito bem como a sensual madrasta Sharla Smith. Apenas Juno Temple deixa a desejar, pois não consegue esconder sua sensualidade e não convence como ingênua garota que aparenta ter alguma forma de autismo.

    Conforme a trama se aprofunda, Dottie se torna o centro do filme e um simples objeto à mercê da vontade de Joe, diante da passividade de seu pai e madrasta. Seu irmão é o único que, de forma distorcida, tenta defender sua honra. Quando toda a tensão criada chega ao ponto crítico, o filme explode em caos. Um show de violência que escancara quanto horror pode ser infligido pelo ser humano.

    A fotografia criada por Caleb Deschanel, mesmo de O Patriota, procura mostrar como a integridade daquela família está prestes a desabar. Tudo é muito escuro, com sombras predominantes graças à iluminação indireta; isso deixa os ambientes sufocantes, principalmente dentro do trailer dos Smiths. Repare no jogo de luz e câmera na cena em que um frango frito é usado de uma forma nada convencional.

    Com seus personagens perturbados e situações grotescas, Killer Joe deixa claro que ninguém é verdadeiramente inocente - nem mesmo a virginal Dottie. Em meio a muito humor negro, é impossível não refletir sobre a violência como algo inerente ao ser humano, reflexo de um mundo sem moral, no qual o medo das consequências e a falsa sensação de segurança são os únicos fatores que nos mantém no limite da selvageria.


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