KING KONG

KING KONG

(King Kong)

2005 , 188 MIN.

12 anos

Gênero: Aventura

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Peter Jackson

    Equipe técnica

    Roteiro: Fran Walsh, Peter Jackson, Philippa Boyens

    Produção: Carolynne Cunningham, Frances Walsh, Jan Blenkin, Peter Jackson

    Fotografia: Andrew Lesnie

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Big Primate Pictures, MFPV Film, Universal Pictures, WingNut Films

    Elenco

    Adrien Brody, Andy Serkis, Belindalee Hope, Billy Jackson, Bob Burns, Caron Dallas, Chic Littlewood, Chris Bailey, Colin Bogaars, Colin Hanks, Craig Hall, Crawford Thomson, Crushanin Dixor-McIvor, Daniel Tusia, Darryl John, David Dengelo, David Denis, David Pittu, Eddie Campbell, Edwin Wright, Evan Parke, Felicia O'Brien, Frank Darabont, Frank Edwards, Gene de Marco, Geoff Allen, Geoff Dunstan, Geoff Timblick, Geraldine Brophy, Glen Drake, Greg Smith, Hamish Bruce, Hilton Denis, Jacinta Wawatai, Jack Black, Jamie Bell, Jason Whyte, Jed Brophy, Jennifer Gertler, Jesse Rasmussen, Jim Dietz, Jim Knobeloch, Jim McLarty, Jodie Taylor, Joe Folau, Joe Gertler, John Clarke, John Dybvig, John Sumner, John Wraight, Julia Walshaw, Kathy Burns, Katie Jackson, Kyle Chandler, Latham Gaines, Lawrence Jarden, Lee Donahue, Lee Hartley, Lee McDonald, Lobo Chan, Lorraine Ashbourne, Louis Sutherland, Luanne Gordon, Mark Hadlow, Matt Wilson, Matthew Chamberlain, Matthew Dravitzki, Michael Lawrence, Naomi Watts, Paul Wilson, Peter Corrigan, Peter Ford, Peter Jackson, Peter McKenzie, Phil Grieve, Pip Mushin, Randall William Cook, Ray Woolf, Ric Herbert, Richard Kavanagh, Rick Baker, Rick Porras, Ross Duncan, Roussel Dubois, Samuel Taylor, Shannon Wilson, Sosina Wogayehu, Stephen A. Buckley, Stephen Hall, Steve Reinsfield, Stig Eldred, Susan Eastwood, Tamihana Nuku, Tania Rodger, Terence Griffiths, Thomas Kretschmann, Tim Gordon, Tim Wong, Tiriel Mora, Toa Waaka, Todd Rippon, Tom Hobbs, Troy O'Kane, Vicky Haughton, William Johnson, William Wallace

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Quando o King Kong original foi lançado em 1933, o mercado cinematográfico amargava uma forte crise de público iniciada quatro anos antes, com a quebra da Bolsa de Nova York. Em tempos de profunda depressão, não era nada fácil convencer o espectador - que mal tinha o que comer - a colocar a mão no bolso para comprar um ingresso de cinema. Os produtores sabiam que era necessário produzir filmes diferenciados, grandiosos e/ou escapistas, que funcionassem como uma espécie de "fábrica de sonhos" (a expressão foi cunhada naquela época) para uma platéia desencantada, triste e desiludida.

    A Warner apostou no filão dos chamados "filmes de gângsteres". A Metro iniciou sua longa tradição de belos musicais com finais felizes. E a Universal descobriu que o público adorava exorcizar seus medos através de monstros do calibre de Drácula, Frankenstein e A Múmia.

    Passados mais de 70 anos, provando novamente que a história é cíclica, o mercado cinematográfico mundial vê outra vez o seu público diminuir. A crise agora é provocada não mais pela bolsa de Nova York, mas pelos DVDs, home theaters, altos preços do ingresso de cinema, downloads, pirataria, etc.. Mas os produtores continuam sabendo que, para convencer o espectador a colocar a mão no bolso e comprar um ingresso de cinema, é necessário produzir filmes diferenciados, grandiosos e/ ou escapistas. Por isso, nada melhor que ressuscitar o gorilão da RKO e refazer um King Kong turbinado com um mega orçamento superior a US$ 200 milhões e o prestígio de "Peter - O Senhor dos Anéis - Jackson". Para velhos problemas, velhos remédios.

    Este novo King Kong acerta em vários pontos. O primeiro é tentar resgatar - dentro do possível - a história clássica que o escritor Edgard Wallace ajudou a criar para o filme de 1933, apagando desta forma o engano que foi a versão de 1976, estrelada por Jeff Bridges. Assim, a ação é ambientada nos charmosos anos 30, o que proporciona uma reconstituição de época de encher os olhos. Na versão 2005 há até uma referência bem-humorada ao filme original, quando o personagem Carl Deham (Jack Black) fica sabendo que não poderá contar com a atriz "Fay", pois ela havia aceitado filmar com "Cooper". O grande público talvez não perceba, mas este diálogo se refere a Fay Wray e Merian C. Cooper, respectivamente atriz principal e diretor do King Kong de 1933. Aliás, a frase final do filme deveria ter sido dita pela própria Fay Wray, mas a atriz morreu em 8 de agosto de 2004, antes que a cena-homenagem pudesse ser filmada. Hollywood adora se auto-referenciar.

    Neste sentido, o novo Carl Deham agora é um cineasta, o que permite criar uma série de situações relacionadas ao admirável mundo dos filmes. Por exemplo: logo nas primeiras cenas, percebe-se que Deham esnoba e abomina os produtores de cinema que só pensam em dinheiro. E que ele é considerado por estes mesmos produtores como um talento promissor, realizador de alguns "quase sucessos". Teria este papel algo de autobiográfico? Estaria Jackson se referindo nestas cenas à sua fase pré-O Senhor dos Anéis? De qualquer maneira, no decorrer do filme percebe-se que Deham também se transforma num produtor inescrupuloso, ávido pelo dinheiro. A pergunta continua: teria este papel algo de autobiográfico?

    Outro acerto do filme é valorizar a dimensão "humana" do gorilão, se é que podemos falar assim. Afinal, este é um dos principais trunfos de toda a trama, pois é só na medida em que Kong mostra que não é uma besta-fera, que é possível desenvolver a idéia de que os humanos são os verdadeiros selvagens. Felizmente, os efeitos especiais (alguns beirando à perfeição, outros nem tanto) não eclipsaram esta dimensão humana da história.

    Também é eficiente a maneira pela qual o roteiro retarda a entrada de Kong na tela, criando um clima crescente de suspense e construindo os personagens dentro de seu devido tempo. O grande erro do filme, contudo, fica por conta de seu exagero. Uma vez mostrado o grande astro que todos querem ver, King Kong se torna vítima de sua própria grandiosidade e envereda pelo perigoso (e usual) caminho do "filme-videogame". Há seqüências intermináveis de perseguições e lutas que, além de não contribuírem em nada para o desenvolvimento da narrativa, diluem a carga dramática e emotiva que a produção havia conseguido criar em sua primeira parte. São cenas inteiras que ficariam melhores num Nintendo que numa tela de cinema. Coisas do tipo "ajude nossos heróis a escaparem dos brontossauros - Fase 2".

    Na somatória, King Kong não é um mau filme. Cumpre o que promete e deve rapidamente se transformar num grande sucesso de bilheteria. Mas o seu bom início e seu final satisfatório ficariam muito mais valorizados se o miolo não fosse tão esticado por cenas que trocam a dramaticidade pela adrenalina sem conteúdo. De qualquer maneira, vale lembrar que os produtores continuam sabendo que, para convencer o espectador a colocar a mão no bolso e comprar um ingresso de cinema, é necessário produzir filmes diferenciados, grandiosos, escapistas, etc, etc, etc...

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