Kong

KONG: A ILHA CAVEIRA

(Kong: Skull Island)

2017 , 118 MIN.

12 anos

Gênero: Ação

Estréia: 09/03/2017

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jordan Vogt-Roberts

    Equipe técnica

    Roteiro: Dan Gilroy, Derek Connolly, John Gatins, Max Borenstein

    Produção: Jon Jashni, Mary Parent, Thomas Tull

    Fotografia: Larry Fong

    Estúdio: Legendary Pictures, Warner Bros.

    Montador: Christian Wagner, Richard Pearson

    Distribuidora: Warner Bros.

    Elenco

    Andre Pelzer, Brie Larson, Corey Hawkins, Emmy Agustin, Eugene Cordero, Jason Mitchell, Jason Speer, John C. Reilly, John Goodman, John Ortiz, Marc Evan Jackson, Nicole Hunt, Samuel L. Jackson, Scott M. Schewe, Sharon M. Bell, Shea Whigham, Thomas Mann, Tian Jing,, Toby Kebbell, Tom Hiddleston, Will Brittain

  • Crítica

    08/03/2017 13h10

    Por Daniel Reininger

    Poucas imagens são tão icônicas para o cinema como King Kong pendurado no topo do Empire State Building, na Nova York dos anos 30. Entretanto, o novo filme sobre o Rei dos Macacos foge exatamente desse conceito, ao se passar na casa do gigante, ser ambientado durante a guerra do Vietnã e garantir um tom ainda mais fantasioso à conhecida história.

    A Ilha Caveira é capaz de fazer de Kong um deus com sua própria mitologia, algo que nenhum dos filmes anteriores realmente fez. Para os nativos, o macaco é o protetor máximo contra outras criaturas perigosas do local. Último de sua espécie, ele passa seus dias lutando contra várias ameaças e vagando sem rumo pela ilha, protegendo seus súditos e o mundo de ameaças inimagináveis.

    É um conceito interessante e quando o filme se afasta dos clichês básicos da história do gorila ganha força e credibilidade. Além disso, logo fica clara a relação com o filme de Godzilla, afinal a agência Monarch, mesma do filme de 2014, está por trás da exploração da ilha, sem revelar a ninguém seus reais objetivos: encontrar organismos gigantescos que são ameaças para a humanidade.

    O grupo de exploradores é comandando pelos membros da Monarch Bill Randa (John Goodman) e Houston Brooks (Corey Hawkins), que convencem o governo a financiar uma expedição à ilha recentemente descoberta por satélites. Eles são acompanhados por militares retirados da guerra do Vietnã (liderados pelo Coronel Packard vivido por Samuel L. Jackson), outros cientistas, uma fotógrafa anti-guerra (Brie Larson) e um rastreador britânico (Tom Hiddleston).

    O ponto alto são os combates, muito bem coreografados e ágeis, tudo fica ainda mais divertido quando o filme tenta trazer o clima de clássicos da Guerra de Vietnã como Apocalypse Now na luta contra os seres da ilha. A cena dos helicópteros em formação sobrevoando a selva ao som de Paranoid, de Black Sabbath, é de arrepiar. Entretanto, o roteiro é direto, não perde tempo apresentando personagens e é construído de forma a cada situação simplesmente levar a outro encontro, outra luta até chegar ao óbvio clímax. É a fórmula básica do cinema de ação de Hollywood em seu auge.

    Visualmente o filme é inspirado. Os efeitos em computação gráfica são muito bem feitos, a Ilha da Caveira é misteriosa e variada, como deve ser, e as criaturas são realistas e cumprem seu papel no ecossistema local: algumas são aterradoras, outras simplesmente se defendem de ataques e outras são claramente inofensivas, apesar do tamanho. Mérito do diretor e dos técnicos de efeitos conseguirem fazer Kong alternar esses estereótipos com simples atitudes e olhares. A trilha sonora dos anos 70 ainda serve como bônus.

    O filme, eventualmente, perde força, abusa dos clichês, inclusive elementos batidos da história de Kong como sua obsessão por mulheres loiras, e abre mão até mesmo da estética inspirada de seu início. Conforme avança em direção ao final, fica cada vez mais previsível e genérico. Sem contar com grandes desenvolvimentos de personagens ou questões emocionais, o longa depende apenas de sua criatividade visual, quando isso também fica de lado, o filme se perde.

    No quesito atuações, o forte elenco mantém o padrão esperado. Nada incrível, mas convincente. Destaque positivo para Shea Whigham, ótimo como um dos soldados que não parece se espantar com mais nada. E para John C. Reilly, que rouba a cena sempre que está presente. Os coadjuvantes, em geral, brilham mais do que os protagonistas e isso é curioso. Já Samuel L. Jackson é o destaque negativo, ao tentar incorporar o personagem de Marlon Brando em Apocalipse Now de forma caricata e sem apelo real.

    Kong: A Ilha Caveira é um filme divertido, com boas sacadas e confiante em sua própria mitologia, mas que não é capaz de manter a criatividade até o final. Não é um filme padrão do Rei dos Gorilas e seus melhores momentos acontecem quando se afasta dos clichês, mas a necessidade de justificar uma possível luta contra Godzilla num filme futuro faz a trama tomar atalhos e decisões sem muito sentido, que comprometem a qualidade. No final das contas, é um bom filme de monstros gigantes, mas seu potencial desperdiçado acaba deixando um gosto amargo na boca ao fim da sessão.

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