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LA LA LAND - CANTANDO AS ESTAÇÕES

(La La Land, 2016)

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16/01/2017 13h16
por Daniel Reininger

La La Land - Cantando As Estações é uma declaração de amor à Hollywood, especialmente sua era de ouro. É um musical interessante, muito bem dirigido por Damien Chazelle  (Whiplash) e com grandes atuações de Emma Stone e Ryan Gosling. No entanto, o longa é muito mais que isso, é um filme apaixonante, capaz de tocar a todos com sua história sobre a importância de sonhar e nunca desistir de seus objetivos diante das adversidades.

Com muitas referências e homenagens a filmes clássicos, La La Land também traz algo novo ao gênero. A forma como explora a busca pela realização de sonhos e custo disso é um dos pontos fortes da obra. O roteiro é capaz de trabalhar com dicotomias como essa, enquanto o próprio longa alterna momentos musicais surrealistas e cenas duras e realistas, repletas de diálogos bem construídos. A mistura, na medida certa, de drama, musical e comédia também é muito bem-vinda.

A trama trabalha bem com os estereótipos sobre a vida em Los Angeles enquanto segue dois sonhadores que vieram à cidade tentar a sorte. Mia (Emma Stone) quer ser atriz, mas não encontrou sucesso nos testes de elenco. Por isso, trabalha em uma cafeteria dentro dos estúdios da Warner Bros. Sebastian (Ryan Gosling) pretende abrir um clube de jazz, mas apenas consegue trabalho em restaurantes e festas, onde desperdiça seu talento. Quando se encontram, o amor pela arte se torna combustível para a paixão e um incentiva o outro a seguir seus objetivos.

Ryan e Emma têm uma química incrível e realmente parecem pessoas reais. Mia é graciosa e mostra uma incrível força interna, mesmo quando está vulnerável. Sem dúvida é o coração da obra. Sebastian é cabeça dura, porém capaz de aprender com seus erros. Seu desenvolvimento na trama, causado em boa parte por Mia, é credível e tocante. Dito isso, é um pouco estranho ver um jovem branco retratado como salvador do Jazz e um protagonista afro-americano traria força e um elemento importante de representatividade ao longa.

Como esperado, La La Land não seria o mesmo sem sua ótima trilha sonora. Criada pelo talentoso Justin Hurwit no estilo dos musicais dos anos 50, mas com um viés moderno, é cativante e capaz de capturar o clima das cenas. Até por isso a abertura ambientada em uma autoestrada de Los Angeles é tão incrível ao definir o tom otimista da narrativa e mostrar centenas de sonhadores em busca de seus objetivos na cidade dos anjos.

A forma natural como Ryan e Emma cantam e dançam, sem a precisão dos clássicos de outrora, os mantém como duas pessoas reais simplesmente expressando seus sentimentos pela música, mas ainda capazes de nos lembrar das estrelas do passado de Hollywood. Mesmo os momentos surrealistas são facilmente entendidos como uma viagem da mente desses dois apaixonados pelas artes, por isso funcionam tão bem.

Metalinguagem tem um papel importante na trama, seja com referências a clássicos como Cantando Na Chuva, O Balão Vermelho, Casablanca e até A Bela Adormecida, seja com pequenas pistas de para onde a trama e o destino desses personagens está seguindo. As cores também são bem pensadas, capazes de representar o humor dos personagens e sempre garantindo belas composições na tela, especialmente nas cenas de dança.

Visualmente La La Land impressiona com bela fotografia, ótimas planos abertos de Los Angeles, closes impactantes e momentos marcados pela diminuição da luz para destacar um ator na cena. E as cenas músicas dispensam elogios.

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A conclusão perfeita dessa obra nos lembra das coisas que deixamos para trás em busca de nossos sonhos e objetivos. Lembramos que a vida é feita de escolhas e essas escolhas nos definem como pessoas e profissionais. La La Land consegue tocar, sem ser melodramático, possui um roteiro bem construído capaz de nos fazer vibrar, torcer, xingar, cantar e chorar ao lado de ótimos protagonistas. Otimismo e realidade se misturam em uma história fantasiosa e, ao mesmo tempo, realista. É uma obra feita sob medida para sonhadores e amantes da arte e, só isso, já mais do que vale o ingresso.

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O ARTISTA

Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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