LABIRINTO DE MENTIRAS

LABIRINTO DE MENTIRAS

(Im Labyrinth des Schweigens)

2014 , 124 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 17/12/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Giulio Ricciarelli

    Equipe técnica

    Roteiro: Elisabeth Bartel, Giulio Ricciarelli

    Produção: Jakob Claussen, Ulrike Putz

    Fotografia: Martin Langer, Roman Osin

    Trilha Sonora: Niki Reiser, Sebastian Pille

    Estúdio: Claussen Wöbke Putz Filmproduktion, Naked Eye Filmproduktion

    Montador: Andrea Mertens

    Distribuidora: Mares Filmes

    Elenco

    Alexander Fehling, André Szymanski, Friederike Becht, Gert Voss, Hansi Jochmann, Hartmut Volle, Johann von Bülow, Johannes Krisch, Lukas Miko, Mathis Reinhardt, Robert Hunger-Bühler, Tim Williams, Werner Wölbern

  • Crítica

    15/12/2015 09h52

    Grosso modo, há três tipos de filmes baseados em histórias reais: jornadas pessoais de anônimos, aqueles que narram eventos consagrados e os que se debruçam sobre facetas pouco conhecidas da História. É nesse último grupo que habita Labirinto De Mentiras, candidato alemão ao Oscar de filme estrangeiro em 2016.

    O roteiro apresenta os abalos secundários do Nazismo, após o final da Segunda Guerra Mundial. No final dos anos 1950, o novato promotor Johann Radmann (Alexander Fehling, de Bastardos Inglórios) recebe a queixa de que criminosos de guerra estão à solta, e começa uma jornada hercúlea por justiça. Antes dessa missão, o jovem apenas se envolvia em casos menores, como infrações de trânsito.

    Sua tarefa é dificultada porque fatos que hoje fazem parte do senso comum eram naquela época ocultados. Para a esmagadora maioria da sociedade alemã, campos de concentração eram apenas presídios. As brutalidades ali cometidas eram assunto desconhecido, boatos ou exageros de propaganda de guerra.

    Outro obstáculo ao protagonista é combater forças pouco interessadas em sua investigação. Alguns saudosistas do nazismo, outros acomodados com a fachada de perfeição da sociedade no pós-guerra. Nesse tema, muitas instituições fazem corpo mole e colocam sobre os ombros de Radmann a responsabilidade por atividades que não fazem parte de sua alçada. Um exemplo disso é localizar cada um dos suspeitos pela lista telefônica.

    Em seu início, o filme precisa garantir ao público que seu personagem principal tem valores robustos, com uma apresentação com tons cômicos na qual fica claro que Johann prefere desembolsar algum dinheiro próprio a flexibilizar uma multa de trânsito. A partir daí, basta que a busca pela justiça e punição dos criminosos guiem a conexão emotiva criada. No entanto, conforme caminha para o fim, há mais espaço para conflitos pessoais do que seria desejável.

    O foco no âmbito íntimo permite que se realizem cenas mais marcantes, especialmente os sonhos que Radmann tem em sua perseguição ao famigerado Dr. Mengele. Contudo, o teor histórico é forte demais para que haja justificativa ao enfoque pessoal.

    Em seu terceiro ato, Labirinto de Mentiras se perde mais do que se acha. Questões de família referidas de maneira sutil anteriormente voltam à tona sem serem convidadas. Há o conflito de Johann com sua mãe, envolvida com outro homem depois do desaparecimento do pai dele durante a guerra. A própria participação do pai no combate é outra pauta indesejável abordada. Para completar, existe o envolvimento romântico do protagonista com Marlene (Friederike Becht, de O Leitor), mais um apêndice narrativo.

    A solução para o equilíbrio entre a faceta íntima e histórica do roteiro estaria na relação de Radmann com o jornalista Thomas Gnielka (André Szymanski), grande apoiador de suas investigações. A diferença de temperamento entre os dois homens é um prato cheio para conversas acaloradas e debates pertinentes, mas que ficam em segundo plano no desfecho que cai para um melodrama desalinhado.

    O trunfo de Labirinto de Mentiras é realmente seu conteúdo histórico, seja apenas para conhecer aquela época ou para traçar paralelos com outros momentos, em outros lugares. Sempre existirão espíritos fracos para tentar varrer passagens lamentáveis da História para debaixo do tapete.

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