LARA

LARA

(Lara)

2002 , 100 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ana Maria Magalhães

    Equipe técnica

    Roteiro: Ana Maria Magalhães, Rita Buzzar

    Produção: Telmo Maia

    Fotografia: José Guerra, Pedro Farkas

    Trilha Sonora: Dorival Caymmi

    Estúdio: Nova Era Prod. de Arte

    Elenco

    Ana Beatriz Nogueira, Caco Ciocler, Camilo Bevilacqua, Christine Fernandes, Diogo Dahl, Emílio de Mello, Gilberto Gawronski, Luanne Louback, Maria Manoella, Marina Lima, Miguel Magno, Tuca Andrada

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Durante muitos anos, o cinema brasileiro padeceu de um grande problema: levar para as telas falas, marcações e interpretações eminentemente teatrais. O defeito era acentuado na época das dublagens, quando a técnica nacional ainda não utilizava o som direto. Felizmente, porém, esta “teatralidade” do filme brasileiro foi desaparecendo aos poucos e hoje não existe mais este problema. Ou, não existia: Lara, o novo longa-metragem de Ana Maria Magalhães, traz de volta todo o estilo histriônico de interpretação que pode até funcionar no palco, mas que se torna insuportável na tela.

    A cineasta ficou quase dez anos envolvida no projeto e investiu mais de R$ 4 milhões para contar a vida da Odete Lara. Atriz de Noite Vazia, Copacabana me Engana, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Vai Trabalhar Vagabundo e vários outros filmes, Odete Lara – atualmente aos 73 anos – viveu todos os tipos de excessos durante sua carreira profissional, saiu da vida artística há mais de 30 anos e se recolheu à religiosidade.

    O filme segue uma estrutura convencional. Começa mostrando um momento difícil na vida da atriz (um acidente de automóvel), retoma a narrativa em vários flashbacks e retorna ao ponto de partida para o desfecho final. Clássico. Porém, todos os cuidados tomados na reconstituição de época e na pesquisa da vida da biografada vão por água abaixo quando o filme escancara seu estilo teatral. Os diálogos são recitados, há movimentações de câmera duras e antiquadas, e o ritmo é truncado. Christine Fernandes e Maria Manoelle, as atrizes que interpretam Odete Lara em duas idades, até que se esforçam, mas fica claro que o problema aqui é mesmo de direção e não exatamente de interpretação. Até Hugo Carvana, numa minúscula participação, está pouco à vontade e sua fala sai dura. E nem a excelente Ana Beatriz Nogueira exibe seu costumeiro talento. O resultado é um filme frio, em que se torna muito difícil a empatia com o público. Um desperdício de dinheiro e de uma boa idéia que morreu na praia.

    5 de novembro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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