Latitudes

LATITUDES

(LATITUDES)

2013 , 81 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 28/02/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Felipe Braga

    Equipe técnica

    Distribuidora: O2 Play

    Elenco

    Alice Braga, Daniel de Oliveira

  • Crítica

    23/02/2014 12h26

    Um cinéfilo purista ficaria aterrorizado ao descobrir o passado pregresso de Latitudes. O projeto chega aos cinemas como filme, mas antes foi exibido no canal a cabo TNT como série híbrida de oito episódios de 22 minutos. Esta combinava ficção e documentário, exibindo também o making of com a rotina de ensaios dos atores. Depois, Latitudes migrou para internet, sendo exibido em episódios de 12 minutos em formato convencional de ficção. Agora chega ao cinema como longa-metragem.

    Latitudes é o primeiro filme brasileiro concebido para TV, internet e cinema. Essa versatilidade audiovisual tem nome: são os chamados projetos "transmídia", produtos feitos para ocupar diferentes plataformas de reprodução. Especialistas afirmam que usar meios diversos para explorar a produção de conteúdo é uma tendência inevitável no mercado cultural atual. Para quem estiver interessado em se aprofundar no tema, sugiro a leitura do livro Cultura da Convergência, de Henry Jenkins.

    Não assisti à produção nem na TV ou internet. O projeto é "transmídia", mas a crítica é de cinema. Então vamos falar de Latitudes, o filme. Este acompanha os encontros e desencontros de José (Daniel Oliveira) e Olívia (Alice Braga). Ele é um fotógrafo requisitado que viaja pelo mundo a trabalho. Ela, uma editora que cruza os continentes fazendo a cobertura de eventos de moda.

    Se conhecem e flertam em Paris. Têm uma noite de sexo casual e se despedem pela manhã. Podia acabar ali, mas a dupla resolve repetir os "encontros acidentais" em Londres, Veneza, Portugal e outras cidades pelo mundo. Sabem o mínimo sobre o outro, mas, como é de se esperar, a relação moderninha e descompromissada começa a ser fustigada por sentimentos. E quem dá os primeiros sinais de desconforto com a situação é José.

    O que vem adiante não é novidade, afinal, estamos falando de amor e tudo que vem no pacote: cobranças, ciúmes, dúvidas, hesitações... O complicador adicional no caso de José e Olívia é a vida profissional e sem pouso certo que ambos levam. Todo o desenrolar da trama e seu conflito transcorrem nas belas cidades citadas, todas registradas em ângulos privilegiados, com fotografia a evidenciar o clima de romantismo do casal.

    Boa produção e belas locações sozinhas, no entanto, não são subsídios suficientes para sustentar a força dessa paixão. Talvez esteja aí o calcanhar de Aquiles de Latitudes, o filme. Apesar do casal de protagonistas estar nas mãos de atores experimentados, falta tesão na relação. O longa é casto, não há uma cena de sexo sequer. Eles se encontram, dialogam textos espertinhos, e corta-se para José deitado na cama enquanto Olívia se veste. A cena se repete por vezes, cansativamente.

    Nem mesmo o clichê casal-ofegante-pós-coito rola. Tudo é muito asséptico. José e Olívia conversam pra caramba, mas nada de um cabelo desgrenhado pela manhã, ninguém fala sacanagem ou faz referência alguma ao sexo passado. É como se soubessem que estamos ali no quarto observando. Não faço ideia de como este romance se desenrolou na TV e internet em capítulos, mas no formato longa-metragem o casal ficou devendo intensidade, desejo e excitação.

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