Pôster do filme Laura

LAURA

(Laura)

2011 , 78 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 01/11/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Fellipe Barbosa

    Equipe técnica

    Roteiro: Karen Sztajnberg, Lucas Paraizo

    Produção: Fernanda de Capua

    Fotografia: Pedro Sotero

    Trilha Sonora: Patrick Laplan

    Estúdio: Gamarosa Filmes, Vermelho Filmes

    Montador: Karen Sztajnberg

    Distribuidora: Vitrine Filmes

  • Crítica

    30/10/2013 19h23

    Imagine-se numa festa badalada ou evento social qualquer. Um conhecido se aproxima e diz: "Gostaria de te apresentar alguém. Esta é Laura." Segue-se os cumprimentos de praxe e talvez uma breve conversa. Ela é uma mulher de 57 anos que ainda conserva boa parte da beleza de outrora. Gosta de se vestir bem, é falante, determinada e esfuziante. Depois do último drink, quando estiver no táxi voltando para casa, é essa a impressão fugaz que terá de Laura. Uma noção vaga de alguém igualmente volúvel.

    Laura não é uma personalidade, artista, tampouco figura pública importante. Também não defende causa nobre ou representa algum grupo ou tribo em evidência que justifique ser tema de um documentário. Então por que o diretor Fellipe Barbosa resolveu transformá-la em personagem central de seu filme?

    Talvez Barbosa quisesse fazer um estudo da relação entre documentarista e documentado. Ir aos extremos da interação entre diretor e personagem. Mais do que tentar contar a história de Laura, seu filme revela a tensa convivência que teve com a voluntariosa personagem. Laura é vaidosa o suficiente para querer ser protagonista de um filme, mas tola na mesma proporção ao achar que sua vida mundana é material o bastante para fundamentar a escolha.

    A Laura deslumbrada, que gosta de frequentar eventos do jet set só para poder estar no mesmo ambiente onde se encontram estrelas como Julia Roberts e Clive Owen, reluta em revelar mais do que essa imagem de fútil que alimenta. Sabemos que nasceu na argentina, morou no Brasil boa parte da vida, foi casada, separou-se e foi morar em Nova York. Não trabalha, vive sustentada pela mãe ou ex-marido – ela não conta – e mora num quarto de hotel onde acumula pilhas de objetos inúteis.

    Laura, o filme, fica no quase. Vai se desenrolando e não consegue revelar mais do que foi dito no parágrafo anterior sobre a personagem que, ao final, mostra-se desinteressante. Por outro lado, também não tem pleno êxito em fazer uma análise do vínculo entre realizador e objeto a ser documentado, o que poderia salvar o filme já que a própria Laura não se revela suficiente.

    "Gostaria de te apresentar alguém. Esta é Laura." Ela é uma mulher de 57 anos que ainda conserva boa parte da beleza de outrora. Gosta de se vestir bem, é falante, determinada e esfuziante. Esta é a Laura do breve encontro na festa. A Laura do documentário que carrega seu nome é tudo isso, mas também deslumbrada, vazia, arrogante e um tanto antipática. E certamente não será uma cena na qual chora enquanto ouve uma canção natalina ou diz que ama e respeita a todos que vai mudar essa imagem.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus