LAURENCE ANYWAYS

LAURENCE ANYWAYS

(Laurence Anyways)

2012 , 160 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 02/11/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Xavier Dolan

    Equipe técnica

    Roteiro: Xavier Dolan

    Produção: Charles Gillibert, Lyse Lafontaine, Nathanaël Karmitz

    Fotografia: Yves Bélanger

    Estúdio: Lyla Films, MK2 Productions

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Catherine Bégin, David Savard, Denise Filiatrault, Emmanuel Schwartz, Gilles Renaud, Guylaine Tremblay, Jacques Lavallée, Kevin Desmarescaux, Magalie Lépine Blondeau, Mario Geoffrey, Melvil Poupaud, Monia Chokri, Nathalie Baye, Patricia Tulasne, Perrette Souplex, Sophie Faucher, Susan Almgren, Suzanne Clément, Violette Chauveau, Yves Jacques

  • Crítica

    27/10/2012 15h34

    Xavier Dolan é um prodígio do cinema, ou ao menos é isso que parte da mídia pensa. No alto de seus 23 anos, ele assina seu terceiro longa-metragem e apesar de certa evolução, está claro que o diretor é um dos nomes mais superestimados dos últimos tempos.

    Sem dúvidas, Laurence Anyways é um trabalho autoral, mas existe uma grande diferença entre assinatura própria e qualidade. A forma que Dolan usa a câmera é grosseira e causa irritação aos olhos. São tomadas mal feitas, imagens trêmulas ou ainda diálogos extensos sem nenhum refresco, apenas closes nos rostos dos personagens.

    Aliás, o cineasta explora à exaustão este último recurso citado. São tantos planos fechados que o espectador não é apenas apresentado às rugas e marcas de cada ator, é praticamente obrigado a decorar cada expressão facial deles. Existe até uma explicação no roteiro para o uso de tantos closes, no entanto soa mais como desculpa do que como justificativa.

    No meio de tantos problemas, a trama apresenta a vida de Laurence Alia. Um professor canadense que nunca aceitou o seu próprio corpo e decide seguir a vida como transexual. A partir desse momento, o longa explora as reações de sua noiva Fred, familiares e a sociedade em geral.

    Os conflitos e barreiras que o protagonista tem de superar para ser aceito, ou no mínimo respeitado, estão presentes, porém de maneira duvidosa. Explosões de realidade sempre são sucedidas de uma frustrante dose de fantasia, um eterno “bate e afaga” entre público e diretor. Falta a Dolan ter pulso para assumir uma postura e bancá-la até o final.

    Outra prova de sua insegurança são as passagens didáticas. Muitos elementos não precisavam ser justificados, a escolha do título é um exemplo disto. Existe uma cena feita exclusivamente para explicá-la, além de desnecessária, ela gera um desfecho digno de um romance juvenil.

    Mas nem tudo são erros, Laurence Anyways é sem dúvidas uma evolução em relação ao seu último trabalho: Amores Imaginários. O elenco, bem escolhido, é muito superior aos anteriores. Os dois personagens principais: Melvil Poupand (Laurence) e Suzanne Clément (Fred) são carismáticos e ajudam o espectador a superar os 160 minutos de exibição. Porém, o ponto alto das produções de Dolan continua sendo o mesmo, a trilha sonora.

    O diretor sabe escolher um bom mix entre clássicos e novos hits do rock 'n' roll.. Os planos abertos, usados exclusivamente em cenas lentas, lembram clipes de bandas indies como Strokes, Kaiser Chiefs e Vaccines. No entanto o enquadramento incomoda, a escolha pelo 4:3 não combina com resto da estrutura.

    Resumindo, Laurecen Anyways é um filme autoral, mas com problemas. A imaturidade de Xavier Dolan faz com que uma grande história seja contada de maneira apenas regular. Deixando claro a sua dúvida entre o comercial e o artístico, optando por ficar apenas em cima do muro.

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