LESTE-OESTE, O AMOR NO EXÍLIO

LESTE-OESTE, O AMOR NO EXÍLIO

(Est-Ouest / East-West)

1999 , 121 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Régis Wargnier

    Equipe técnica

    Roteiro: Louis Gardel, Régis Wargnier, Roustam Ibraguimbekov, Sergueï Bodrov

    Produção: Yves Marmion

    Fotografia: Laurent Dailland

    Trilha Sonora: Patrick Doyle

    Elenco

    Catherine Deneuve, Oleg Menchikov, Sandrine Bonnaire, Sergueï Bodrov Jr

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Depois do sucesso de Indochina, o mesmo diretor (Régis Wargnier) e o mesmo roteirista (Louis Gardel, desta vez em colaboração com o escritor russo Sergei Bodrov) se uniram novamente para contar outra história épico/romântica: Leste Oeste - O Amor no Exílio.

    Produzido por França, Rússia, Espanha e Bulgária, Leste Oeste tem o grande mérito de ser um dos poucos a retratar a situação da Rússia pós-Segunda Guerra Mundial. Vários filmes já haviam mostrado os Estados Unidos e a Europa Ocidental após o conflito, mas poucos cineastas se ocuparam em retratar o regime de terror implantado por Stalin, na antiga União Soviética, naquele mesmo período.

    A história começa a ser contada em 1946, quando o governo soviético acena com uma espécie de "perdão" para todos os cidadãos russos espalhados pelo mundo, vários deles expatriados e exilados desde a Revolução Bolchevique. A idéia seria atrair de volta o maior número possível de pessoas que pudessem ajudar na difícil tarefa de reconstruir o país, um dos mais destruídos pela Segunda Guerra.

    O médico russo Alexei (Oleg Menshikov) e sua esposa francesa Marie (Sandrine Bonnaire, perfeita) estão entre as pessoas bem intencionadas que acreditam no apelo do governo soviético. Porém, chegando em território russo, os dois imediatamente percebem a armadilha em que caíram. Marie, por ser francesa, é acusada de espionagem, enquanto Alexei é designado para cuidar da saúde dos milhares de funcionários de uma fábrica que opera em condições sub-humanas. De forma truculenta, o casal é alojado em Kiev, num apartamento já lotado. O sonho de reconstrução de um país rapidamente se transforma em pesadelo.

    Constatada a angustiante situação, Alexei e Marie adotam estratégias diferentes na busca pela liberdade. Enquanto ela assume uma postura de conflito e litígio contra as autoridades soviéticas, ele, por outro lado, busca o entendimento, a solução política. Metaforicamente, Alexei assume uma atitude "Leste", enquanto Marie age de maneira "Oeste". Estas posições antagônicas terão conseqüências definitivas para a vida do casal. O amor pode ser lindo, mas não é indestrutível.

    Leste Oeste é um filme que "bate nas traves". Foi indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor produção estrangeira. Perdeu ambos para Tudo Sobre Minha Mãe. Foi indicado para quatro prêmios César. Perdeu todos. Ele é quase uma pungente história de amor. Fica a um passo do romance épico/político ao estilo de Reds. É quase um filme inesquecível. Levou mais de 400 mil franceses aos cinemas e faturou mais de 2 milhões de dólares nas bilheterias americanas. Quase um estrondoso sucesso. Tudo nele é "quase".

    Talvez isto se deva às indefinições estilísticas de seu diretor. Entre uma arrebatadora história de amor e uma forte denúncia social, Wargnier preferiu um insatisfatório meio termo. Entre concentrar a ação no período pós-guerra ou estendê-la até a época de Gorbachov, o cineasta optou por contar tudo. E para isso utilizou imperdoáveis letreiros do tipo "dois anos depois', "seis anos depois"...

    Por outro lado, o filme tem elementos apaixonantes para um bom drama romântico: uma forte relação amorosa, personagens consistentes, intolerância política, reconstituição histórica caprichada, belas locações na Ucrânia e na Bulgária, e o sempre irresistível tema da luta incessante pela liberdade individual contra o totalitarismo estatal. Assim, alterna momentos bons e fracos, num resultado irregular, porém aceitável. Leste Oeste não é a obra prima que o tema poderia proporcionar, mas é competente e emocionante.

    Curiosidade: Sergei Brodov Jr., o ator que representa o importante papel de Sacha, é filho do co-roteirista do filme.



    21 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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