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LEVIATÃ

(Leviathan)

2014 , 141 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/01/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Andrey Zviaguintsev

    Equipe técnica

    Roteiro: David Webb Peoples, Jeb Stuart

    Produção: Aurelio De Laurentiis, Luigi De Laurentiis Jr.

    Fotografia: Alex Thomson

    Trilha Sonora: Jerry Goldsmith

    Estúdio: Filmauro, Gordon Company, Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)

    Montador: John F. Burnett

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Amanda Pays, Daniel Stern, Ernie Hudson, Eugene Lipinski, Hector Elizondo, Larry Dolgin, Lisa Eilbacher, Meg Foster, Michael Carmine, Pascal Druant, Peter Weller, Richard Crenna, Steve Pelot

  • Crítica

    14/01/2015 10h01

    Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira e do prêmio de melhor roteiro no último Festival de Cannes, Leviatã não é um filme fácil. Por trás da história deste homem na luta para preservar o que ainda resta de sua vida está um dos filmes mais importantes do cinema russo nos últimos anos, um retrato corajoso da época de Vladimir Putin e da união tortuosa entre corrupção, poder e religião.

    Ambientado em um povoado na península do Mar de Barents, no Ártico, Leviatã é a história de Kolya (Aleksey Serebryakov) um pai de família que precisa lutar contra o poder excessivo de um prefeito corrupto disposto a tomar o local em que sua família mora. Mas o texto de Andrey Zvyagintsev não se contenta com esse conflito e constrói coadjuvantes que trazem novos temas para a obra. O amigo Dmitriy (Vladimir Vdovichenkov), advogado vindo da capital disposto a ajudá-lo, o filho adolescente rebelde, a esposa jovem tentando conquistar seu espaço.

    Entre os movimentos sutis de câmera, longas tomadas dos cenários gelados e muitos goles de vódca, está um texto de grande consistência, algo como um manifesto disposto a desconstruir as instituições sobre as quais construímos a vida moderna. Do desenvolvimento das relações que surgem entre os personagens vemos um olhar atento sobre o Estado, o casamento, a igreja e a justiça – instituições interdependentes passíveis do domínio humano e, por isso, dominadas por toda a imoralidade de que somos capazes.

    Há várias sequências que provocam o espectador. Em uma delas, a juíza encarregada de julgar o caso de Kolya lê tão rapidamente sua sentença que torna o veredicto um momento de riso – de desconforto, é bem verdade. Em outro momento o protagonista pratica tiros com os amigos descarregando sua arma contra quadros com figuras importantes da história russa, como Lenin e Mikhail Gorbachev.

    A visão singular de Zvyagintsev soube criar camadas de leitura, o que torna Leviatã um filme difícil, sobretudo para aqueles que não possuam as ferramentas para compreendê-lo em todas as suas possibilidades. Para todos ainda resta o humor, negro e por vezes contestável, mas que ajuda a manter o tom sempre estável. O filme nunca é estridente ou contundente em exagero, seu jeito contido e sutil é resultado da combinação de atuações seguras e diálogos em que o não dito é tão importante quanto o que é falado.

    Leviatã é uma referência direta, uma releitura (por vezes explicita, por vezes estilística) do livro de Jó, algo como se este drama contemporâneo fosse uma atualização da história clássica. Mas Leviatã também é o Estado, tão poderoso e dominador quanto o descrito por Thomas Hobbe na obra clássica da sociologia.

    Dessa união surge um filme que não tem grandes pretensões, mas alcança uma profundidade admirável. Ao beber de suas múltiplas fontes (bíblicas, literárias, políticas), Leviatã não é apenas um filme reflexivo, mas também um olhar atento ao cotidiano, aos grandes temas na vida dessas pequenas pessoas. Enxergar a complexidade na aparente banalidade é o grande legado do filme de Andrey Zvyagintsev.

     

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