LIAM

LIAM

(Liam)

2000 , 90 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Stephen Frears

    Equipe técnica

    Roteiro: Jimmy McGovern

    Produção: Colin McKeown, Martin Tempia

    Fotografia: Andrew Dunn

    Trilha Sonora: John Murphy

    Elenco

    Anne Reid, Anthony Borrows, Claire Hackett, David Hart, Ian Hart, Megan Burns

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Liverpool, década de 30. Nos duros anos da recessão, um pai de família (Ian Hart, que será o professor Quirrell no aguardado Harry Potter) faz o que pode para sustentar a casa e seus três filhos: Con (David Hart), Teresa (Megan Burns, ganhadora do prêmio de atriz no Festival de Veneza) e o pequeno Liam (o estreante Anthony Burrows). Porém, a situação financeira só piora. Teresa consegue um emprego de doméstica numa fina mansão judia, mas o dinheiro não é suficiente. Liam está prestes a fazer a primeira comunhão e, para isso, precisa de roupas novas. A dedicada mãe (papel de Claire Hackett) desdobra-se para administrar todos os problemas.

    Junto com a pobreza vem a intolerância política, racial e social. Ingleses entram em conflito com os imigrantes irlandeses, que significam mão-de-obra mais barata. E o fascismo italiano começa a se espalhar pelo Reino Unido, às vésperas da Segunda Guerra.

    Pressionado até a exaustão por pânicos católicos incutidos durante suas aulas de religião, Liam se vê tão pequeno e impotente diante de algozes tão terríveis (Deus e o fascismo, só para citar dois exemplos) que ele mal consegue falar. Sua língua trava, a garganta aperta e o som não sai. Clara metáfora para a falta de voz – e de vez – de uma geração sanduichada entre a pobreza e a guerra que está por vir.
    Enquanto isso, à sua volta, a situação tensa abre caminho para a violência.

    Na mesma linha de Concorrência Desleal, de Ettore Scola, Liam também enfoca a ascensão do nazismo e do fascismo na Europa sob o ponto de vista de uma criança. Este romântico olhar infantil permite que o ótimo roteiro de Jimmy McGovern (o mesmo roteirista de O Padre) enfoque com o mesmo grau de importância problemas tão diversos como um perigoso ato racista e uma ingênua confissão feita a um padre. Isto faz de Liam um filme que alterna momentos ternos, cômicos e dramáticos. O rito de passagem que o garoto realiza em sua vida religiosa (simbolizado pela primeira comunhão) tem correspondência no período de transformação que toda a sociedade ocidental está para viver. A perda da inocência é iminente, tanto pela anunciada descoberta da sexualidade, como pelo nascimento de conflitos étnicos de proporções até então inimagináveis.
    Tudo sob a direção madura e competente do ótimo inglês Stephen Frears, que naquele mesmo ano 2000 realizou também o divertido Alta Fidelidade.

    Co-produzido por Alemanha, Inglaterra e França, Liam é um trabalho extremamente sensível e inteligente que já pode figurar na lista dos grandes filmes da temporada.

    26 de setembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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