LILA DIZ

LILA DIZ

(Lila dit ça/ Lila Says)

2004 , 89 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ziad Doueiri

    Equipe técnica

    Roteiro: Chimo, Joelle Touma, Mark Lawrence, Ziad Doueiri

    Produção: Marina Gefter

    Fotografia: John Daly

    Trilha Sonora: Nitin Sawhney

    Estúdio: France 2 Cinéma, Pyramide Productions

    Elenco

    Edmonde Franchi, Hamid Dkhissi, Karim Ben Haddou, Lotfi Chakri, Mohammed Khouas, Vahina Giocante

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Uma personagem marcante, que se exibe com toda sensualidade e afronta com frases calientes, repletas de amor declarado nas entrelinhas. Assim é apresentada Lila, foco deste longa de produção franco-britânica. Lila Diz é o segundo filme da carreira do diretor e roteirista libanês Ziad Doueiri, que já trabalhou como assistente de câmera de Quentin Tarantino em Cães de Aluguel (1992), Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994) e Jackie Brown (1997). O estilo moderno destas produções também está presente aqui, enriquecendo e apresentando um romance de conteúdo forte, sem ser vulgar.

    Adaptado de um livro homônimo escrito por autor desconhecido, o roteiro de Lila Diz cheira a espírito adolescente, exalando frescor e conflito na mesma intensidade. Lila (Vahina Giocante) é cativante. De cachos dourados, pele branquinha, olhos verdes radiantes, lábios carnudos, corpo escultural com roupas justas e provocantes, conquista qualquer rapaz à flor da idade com seu jeito de Lolita. Não seria diferente com Chimo (Mohammed Khouas), jovem de origem árabe que vive com a mãe no subúrbio de Marselha (França). A chegada da narcisista Lila desperta uma paixão platônica nele.

    Chimo tem talento para a poesia e vê na oportunidade de estudar em uma escola especial parisiense a chance de abandonar aquele submundo sem perspectivas, aonde chega até a cometer pequenos furtos. Sua turma de amigos, liderada pelo malandro Mouloud (Karim Bem Haddou), desaprova a idéia de partir, mas os conflitos extrapolam a isso quando a gangue insiste em chamar a atenção de Lila, sempre com cantadas infelizes. Exceção feita a Chimo, que a respeita. Com a atitude, é o único que consegue atenção da bela garota. E o descontentamento dos ex-companheiros.

    Lila é intensa, exibe suas partes intimas para ele com a ingenuidade de uma menina de cinco anos. Relata fantasias, usa frases tão explícitas sobre suas confidências e desejos sexuais que a maneira como extravasa cria uma barreira, impedindo o promissor escritor a demonstrar seus desejos, mesmo fascinado pela maneira como a doce ninfeta encara a vida em um ambiente cercado de preconceitos e pobreza de espírito. "Sonhei que transava com 100 homens na noite passada e todos eles tinham o seu rosto": cada frase ousada de Lila, como esta, soa como uma declaração de amor. Mas tamanha ousadia faz com que Chimo não perceba isso com clareza.

    Os personagens secundários também esbanjam vida. A mãe de Chimo (Carmem Lebbos), até então receosa em relação à aproximação do filho com a loira deslumbrante, vê uma mudança para melhor e enxerga no comportamento diferente de Lila uma maneira de reconstriur sua vaidade. Já a tia de Lila (Edmondi Franchi) personifica a religiosa retrógrada, crente que a sobrinha se transformou em fruto do diabo.

    É realmente difícil encontrar defeitos nesta produção. É um filme que deve despertar fantasia ao espectador. Possui cenas belas (como a de Chimo e Lila andando de bicicleta pela cidade), diálogos inesquecíveis, ótima trilha sonora e elenco (Mohammed Khouas venceu o prêmio de Melhor Ator no Festival Internacional de Gíjon, na Espanha). Além da beldade Vahina Giocante, minha candidata à Lolita da nova geração.

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