LINHA DE PASSE

LINHA DE PASSE

(Linha de Passe)

2008 , 113 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/09/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniela Thomas, Walter Salles

    Equipe técnica

    Roteiro: Bráulio Mantovani, Daniela Thomas, George Moura

    Produção: Marcelo Torres

    Fotografia: Mauro Pinheiro Jr

    Trilha Sonora: Gustavo Santaolalla

    Estúdio: VideoFilmes

    Elenco

    Ana Carolina Dias, João Baldasserini, José Geraldo Rodrigues, Kaique de Jesus Santos, Vinícius de Oliveira

  • Crítica

    05/09/2008 00h00

    Linha de Passe marca a volta da parceria na direção de um longa de Walter Salles e Daniela Thomas, que não trabalhavam juntos neste tipo de projeto desde 1998, com O Primeiro Dia. Além disso, o filme também marca um excelente momento no cinema brasileiro ao se apoiar em atuações certeiras para narrar uma história pungente e tocante.

    O filme conta a história uma família que vive na periferia de São Paulo. Sob a sombra da ausência paterna, eles correm em busca da concretização de suas aspirações da maneira que sabem e podem. O caçula, Reginaldo (o estreante Kaique de Jesus Santos, que rouba a cena sempre que aparece com seus olhos melancólicos e aparente falta de inibição frente às câmeras), procura seu pai que nunca conheceu. Negro, diferentemente de seus irmãos, vive sob esse estigma de ser o único diferente nesta família, o único de pai comprovadamente distinto. Sabendo somente que seu pai é um motorista de ônibus, circula pelos coletivos da cidade em busca de um vínculo que o ligue ao pai desconhecido, nem que seja na observação dos motoristas que encontra.

    Dario (Vinícius de Oliveira) está prestes a completar 18 anos e sonha com uma carreira como jogador de futebol profissional. No entanto, com a maioridade, vem também a impossibilidade de passar pelas "peneiras", testes nos quais os clubes de futebol encontram novos talentos. Dinho (José Geraldo Rodrigues), frentista em um posto de gasolina, busca na religião o refúgio para um passado aparentemente misterioso. Dênis (João Baldasserini), o irmão mais velho, já é pai de um filho e ganha a vida como motoboy; ausente na criação do próprio rebento, perpetua o mesmo processo de ausência paterna que experimentou em sua vida. No centro desta família está Cleuza (a brilhante Sandra Corveloni), que, aos 42 anos, está grávida do quinto filho e luta para conseguir manter unida e sustentar economicamente os filhos, exercendo um papel de "pai e mãe", como ela mesma define a certa altura do filme.

    Linha de Passe ganha tons documentais no seu resultado final: a câmera acompanha de perto seus atores; passeia com fluidez pelas ruas da cidade, como os motoqueiros, representados por um dos personagens; os próprios moradores, sofredores da vida real, ganham espaço no drama. Os atores têm feições reais e ganham mais realidade ainda ao vivenciarem na pele de seus personagens situações dramáticas condizentes com o cotidiano de qualquer pessoa que vive numa metrópole como São Paulo, onde ninguém se olha, mas todos se atropelam.

    O elenco é formado por rostos desconhecidos no cinema, o que ajuda a criar uma empatia do público junto aos dramas vividos por seus personagens. O mais experiente nesta área é Vinicius de Oliveira, que protagonizou há dez anos Central do Brasil, o filme mais marcante de Salles. Sandra Corveloni é conhecida no teatro, mas estréia num longa nesta atuação, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. E, de fato, o trabalho denso e realista dos muito bem preparados atores dá base para que o roteiro seja desenvolvido de forma magistral, além de ser terreno fértil para o desenvolvimento do trabalho de direção de Salles e Thomas.

    Dez anos depois, a dupla de diretores segue provando que essa parceira na direção dá muito certo ao orquestrarem uma equipe bastante eficiente no sentido de transformar em cinema, em ficção, essas histórias tão humanas e reais desenvolvidas paralelamente, mas estão intrinsecamente ligadas não somente pelos laços familiares, mas principalmente pela cruel vida na cidade grande. Cada um dos personagens se apega ao que acredita: o futebol, a religião, a ausência da figura paterna ou tudo ao mesmo tempo como uma forma de conseguir seguir em frente.

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