Little Boy

LITTLE BOY - ALÉM DO IMPOSSÍVEL

(Little boy)

2015 , 106 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 10/03/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alejandro Monteverde

    Equipe técnica

    Roteiro: Alejandro Monteverde, Pepe Portillo

    Produção: Alejandro Monteverde, Leo Severino

    Fotografia: Andrew Cadelago

    Trilha Sonora: Mark Foster, Stephan Altman

    Estúdio: Metanoia Films, Santa Fé Films

    Montador: Fernando Villena, Joan Sobel, Meg Ramsay

    Distribuidora: Televisa

    Elenco

    Abraham Benrubi, Ali Landry, Ben Chaplin, Brian Hatch, Candice Azzara, Cary-Hiroyuki tagawa, David Henrie, Eduardo Verástegui, Emily Watson, Jakob Salvati, Kaiser Johnson, Kelly Greyson, Kevin James, Michael Rapaport, Ted Levine, Toby Huss, Tom Wilkinson

  • Crítica

    09/03/2016 16h41

    Por Daniel Reininger

    O público cristão tem garantido boas bilheterias no mundo todo, mesmo com filmes de qualidade duvidosa, como O Filho De Deus,  O Céu é de Verdade e Os Dez Mandamentos: O Filme. De olho nesse mesmo grupo chega Little Boy - Além Do Impossível, longa sobre fé que, mais uma vez, se aproveita de lições de moral para fazer um longa fell good e água com açúcar, mas com momentos de tensão para tentar dar uma apimentada nas coisas.

    Mas não se engane, o longa tem um estilo bem infantil com exagero de momentos doces e piadas leves, porém, sua história ambientada na Segunda Guerra Mundial tem momentos pesados o suficiente para impedir que os pequenos assistam ao filme com tranquilidade, ou seja, o longa não soube se decidir se faria algo para adultos ou crianças e esse é seu primeiro grande problema.

    Na trama, Pepper é um garoto que fica desolado quando seu pai, seu único amigo e herói, vai lutar no pacífico no lugar de seu irmão mais velho, por motivos que nunca ficam claros. Enquanto o médico local (Kevin James) tenta conquistar sua mãe (Emily Watson), Little Boy (Jakob Salvati), que ganha esse apelido por ser muito pequeno, embarca em um projeto para cumprir atos benevolentes de uma lista fornecida pelo padre da cidade (Tom Wilkinson) na esperança de trazer seu pai para casa com segurança. Fazer amizade com o idoso Hashimoto (Cary-Hiroyuki Tagawa), um nipo-americano, é seu maior desafio.

    Com essa subtrama, o diretor Alejandro Monteverde (Bella) tenta tratar sobre o sentimento contra os japoneses que levou a diversos crimes de ódio contra a comunidade nipônica nos EUA, algo bem atual se trocarmos os japoneses por muçulmanos. Para neutralizar tal injustiça, o roteiro argumenta que respeitar o próximo, mesmo diante de uma guerra, faz parte dos ensinamentos cristãos, porém nunca aprofunda essa questão de fato. Ao menos, o filme admite que a diferença entre fé e magia/fantasia não é tão grande como a maioria dos religiosos gostaria de admitir.

    Disparidades como essa de discurso aparecem ao longo de toda a obra. Para piorar, a trama é demasiadamente artificial e pouco interessante, com atuações fracas de todo elenco, mas principalmente do garoto principal. O que, de início, parece ser uma versão religiosa de Karatê Kid, com um menino e um senhor começando uma bela amizade enquanto tentam superar os desafios da vida, se torna um conto sem graça sobre milagres. A experiência não chega a ser incomoda em si, mas é impossível não refletir sobre o motivo de perder quase duas horas da sua vida assistindo a esse conto batido e sem graça.

    Tecnicamente o longa é aceitável, apesar da exagerada trilha sonora. Visualmente, recria bem duas cenas de guerra, a fotografia granulada tenta trazer aquele ar de nostalgia. Entretanto, existem cenas inexplicáveis, como quando o garoto anda no meio das ruínas de Hiroshima após a bomba Little Boy destroçar a cidade, uma ilusão que não permite sabermos se é alegria ou culpa que o garoto sente naquele momento. Sem falar que é triste ver esse terrível ataque ser reduzido a um simples trocadilho com o nome "Little Boy".

    Hashimoto é, de longe, o personagem mais interessante do longa, o que não é um elogio de fato, afinal, o personagem é extremamente estereotipado. O que o salva é a atuação de Cary-Hiroyuki Tagawa, conhecido por viver Shang Tsung em Mortal Kombat, e o seu discurso de questionamento sobre religião, que ajudam a humanizar o personagem, algo que falta aos outros.

    Little Boy é um filme que deve sim atrair religiosos e pessoas interessadas em lições de moral, no entanto, para o espectador a procura de algo mais, simplesmente não é opção. O exagero melodramático também não ajuda e muitos dos erros vistos em filmes como A Menina Que Roubava Livros estão presentes em abundância também aqui.

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