LIXO EXTRAORDINÁRIO

LIXO EXTRAORDINÁRIO

(Lixo Extraordinário/ Waste Land)

2010 , 90 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 21/01/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • João Jardim, Karen Harley, Lucy Walker

    Equipe técnica

    Produção: Angus Aynsley, Hank Levine

    Fotografia: Dudu Miranda, Ernesto Hermann, Heloísa Passos

    Trilha Sonora: Moby

    Estúdio: Almega Projects, O2 Filmes

    Distribuidora: Downtown Filmes

    Elenco

    Vik Muniz

  • Crítica

    17/01/2011 15h52

    Desgosto, prazer e catarse. Três sentimentos que atravessam a projeção de Lixo Extraordinário, documentário dirigido a seis mãos e premiado na Berlinale, Sundance e Paulínia.

    O filme apresenta o contato do artista plástico Vik Muniz com os catadores de material reciclável do Aterro do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. A partir dessa experiência, surge um novo combustível criativo para Vik e, como contrapartida, os catadores diminuem sua distância com a arte e conseguem condições melhores de vida.

    Parece mais um acordo do que um filme que surge com os personagens. Lixo Extraordinário começa absurdamente arrogante. Vik sai de Nova York e, após passar pela crise artística “para que serve minha obra?”, vai procurar sangue novo no lixão. A arrogância inicial é perturbadora, pois tanto seu comportamento como das câmeras que acompanham seus passos, se parecem com colonizadores.

    Não é exagero. Parece mesmo um estrangeiro “desbravando” uma “terra virgem”. Que Vik, hoje, é um corpo estranho a um lixão, é normal. Mas por que a postura arrogante? Isso é algo que incomoda profundamente no início do filme.

    Durante o desenvolvimento de Lixo Extraordinário, o processo é incorporado no documentário, talvez como tentativa de amenizar justamente o início. Quando Vik e catadores, especialmente Zumbi, Tião, Irmã, Magna, Suelem e Isis, diminuem a distância, o desconforto diminui. A partir dali parece que surge um filme.

    O final é minimamente feliz para ambos: Vik conseguiu se renovar e os catadores de material reciclável, sob a liderança de Tião, ganham visibilidade. Mas existe algo muito errado no Brasil: se a classe média não olha para o contingente de pobres e não legitima o que eles fazem (sejam política ou artisticamente), passa imperceptível. É como Marisa Monte gravando samba: se não fosse por ela, Lágrimas e Tormentos e seu compositor Argemiro do Patrocínio nunca seria legitimado como músico pelo público fora do morro.

    Alguma coisa está errada. Lixo Extraordinário é mais um exemplo desse país estranho. Um documentário que precisa ser revisto sob um olhar mais frio e sem a catarse provocado pelo final.

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