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LOGAN

(Logan, 2017)

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20/02/2017 13h10
por Daniel Reininger

Logan é o filme que todos os fãs do Wolverine esperavam ver. Visceral, o longa não tenta ser uma adaptação sobre quadrinhos simplesmente e sim uma história tocante e violenta sobre um homem que lutou a vida inteira e perdeu praticamente tudo que amava. Com seu visual inspirado e ar de clássico, o último de Hugh Jackman deve deixar um importante legado para os filmes de super-heróis e, como o ator disse em São Paulo, é o filme definitivo do personagem.

A trama é baseada, livremente, na HQ Velho Logan e mostra Wolverine fraco (Jackman) e velho num mundo decadente e sem mutantes, vivendo como motorista de limusine. Ele cuida de Professor Xavier (Patrick Stewart) com a ajuda de Caliban (Stephen Merchant ótimo no papel) e sonha em juntar dinheiro suficiente para tirar todos do deserto mexicano onde vivem escondidos. As coisas mudam quando X-23 (Dafne Keen) o encontra e pede ajuda.

Logan é um Road Movie ambientado em 2029, com elementos de sci-fi e faroeste, que não tenta ser inovador em sua trama, mas sim ser um bom filme com grandes personagens. A narrativa foca muito bem a relação de Xavier, idoso e com demência, Wolverine, doente e cansado de tudo, e Laura (X-23), fugitiva de uma organização interessada apenas em criar mutantes como armas.

O retorno de Stewart no papel de Xavier como nunca vimos antes: grosseiro, frágil e impotente, é de cortar o coração e um dos pontos altos do filme, especialmente graças à grande atuação do veterano. Jackman dá tudo de si em uma das melhores interpretações de sua carreira. E Daphne é a novata revelação, coração do filme, convincente, de olhar duro que diz muito, mesmo sem falar uma palavra pela maior parte do tempo. Criar uma história em torno dessa "família" disfuncional foi realmente uma grande escolha narrativa de James Mangold (Os Indomáveis).

O diretor já havia mostrado bom trabalho em Wolverine - Imortal, obra que desanda pela necessidade de cumprir ordens de produtores. Com maior liberdade em Logan, o cineasta alcança seu potencial e tenta ir além do tradicional visto em filmes de super-herói ao colocar em xeque a visão que temos, atualmente, de como essas histórias devem ser contadas.

Com pouco CGI, visual com foco na bela fotografia, sem exagero de cores, e cenas de ação impactantes, uma delas incrivelmente sufocante durante um surto psiônico de Xavier, o filme funciona também por não precisar conversar com outros da franquia, algo com que a Fox se preocupa até certo ponto, afinal a cronologia de X-Men é toda errada.

Aqui, o próprio Wolverine desconsidera o passado e diz que as histórias pelas quais os X-Men são conhecidos são exageradas, embora admita eventos como a batalha na Estátua da Liberdade do filme de 2000. E isso é um trunfo que resulta na fluidez da narrativa.

Além disso, o longa traz questões políticas e sociais relevantes, como a questão dos imigrantes, dos refugiados, o abuso de corporações contra as pessoas comuns, seja no caso de X-23 ou de fazendeiros em uma cena posterior, e até mesmo o alto preço de remédios, que impossibilitam um tratamento adequado a Xavier. Questões ainda mais relevantes com o cenário atual.

Os vilões também são destaque, Boyd Holbrook está muito bem como o Carniceiro Pierce, caçador violento e sem escrúpulos interessado em lucrar e seguir ordens apenas. Richard E. Grant também funciona como Dr. Rice, embora tenha pouco tempo de tela. Curiosamente, a única cena autoexplicativa do longa é com Rice, e, apesar do monólogo do vilão sobre seu plano ser algo batido demais, cuja ausência faria bem ao filme, ela ao menos é interrompida no momento certo.

Logan é o filme mais dramático já feito sobre super-heróis. É pesado e melancólico, mas não deixa de entreter e ainda é capaz de nos dar esperança de que dias melhores virão. Wolverine finalmente encontra paz nesse filme e as adaptações de quadrinhos ganham uma nova referência, diferente de tudo que vimos até agora. Esse não é só o melhor filme dos X-Men, é também uma grande obra e compará-lo com outros do gênero seria injustiça. Hugh Jackman e Wolverine vão fazer ainda mais falta depois dessa longa sensacional.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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