LONDON RIVER - DESTINOS CRUZADOS

LONDON RIVER - DESTINOS CRUZADOS

(London River)

2009 , 87 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 01/10/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rachid Bouchareb

    Equipe técnica

    Roteiro: Rachid Bouchareb / Zoé Galeron

    Produção: Rachid Bouchareb / Jean Bréhat

    Fotografia: Jérôme Alméras

    Trilha Sonora: Armand Amar

    Estúdio: arte France Cinéma

    Distribuidora: ABC Films

    Elenco

    Bernard Blancan, Brenda Blethyn, Francis Magee, Marc Baylis, Roschdy Zem, Sami Bouajila, Sotigui Kouyaté

  • Crítica

    28/09/2010 12h20

    Parisiense de origem muçulmana, o cineasta Rachid Bouchareb coleciona prêmios e indicações em festivais internacionais, tanto como diretor quanto como produtor. É ele o produtor, por exemplo, de O Pecado de Hadewijch, recentemente estreado no Brasil. Em London River - Destinos Cruzados, dirigido, co-escrito e produzido por Bouchareb, não foi diferente, com o filme levando dois importantes prêmios no Festival de Berlim 2009: o Ecumênico do Júri e o de Melhor Ator para Sotigui Kouyaté, aqui em seu último filme.

    E o filme é realmente um primor! A sempre impecável Brenda Blethyn (de Orgulho e Preconceito) interpreta Elisabeth, uma viúva que vive tranquilamente cuidando de seu pequeno sítio no interior da Inglaterra. Sua paz desaparece repentinamente com a notícia dos atentados terroristas que abalaram Londres, em 2005. Motivo: sua filha mora na capital. E não está mais atendendo aos telefonemas da mãe. Elisabeth, então, é obrigada a abandonar a estabilidade e a tranquilidade do campo para se embrenhar através de uma amarga e dolorida busca pelos meandros de uma cidade grande traumatizada pela tragédia. Pelo caminho, ela terá de rever seus orgulhos e preconceitos.

    Não é apenas o mote principal – a angústia de uma mãe à procura da filha – que faz a beleza de London River - Destinos Cruzados. A direção de Bouchareb também é das mais precisas e preciosas. Seu ritmo introspectivo e estilo minimalista contrastam com o desespero da situação. A câmera se recusa a abrir o plano para uma visão mais ampla, preferindo se fixar em closes sobre a protagonista, da mesma forma que ela, a mãe, prefere não querer enxergar de fato o que está acontecendo. Enquadramentos claustrofóbicos que não só presenteiam a interpretação de Brenda, como também causam na plateia o incômodo de querer ver mais, saber mais, enxergar mais. O que não é possível, pois estamos vendo a situação filtrados pelo olhar de Elisabeth.

    Quando a mãe entra no apartamento londrino da filha, por exemplo, não vemos o que ela vê. Apenas imaginamos o que ela possa estar vendo, através das expressões de seu olhar. Um verdadeiro poema cinematográfico. Mesmo porque este olhar terá de evoluir do preconceito para a tolerância – e até para a amizade – em nome da sobrevivência e da manutenção da esperança e da sanidade.

    Seu contraponto é Ousmane (Sotigui Kouyaté, veterano ator nascido em Mali, e morto no último mês de abril), um homem que carrega consigo, calado, todo o sofrimento do continente africano onde nasceu e cresceu. Será ele o responsável por encontrar o fio da meada que desenrolará não somente o desaparecimento da garota, como também a transformação de Elisabeth.

    Assim como grande parte dos filmes europeus recentes, London River - Destinos Cruzados (coproduzido entre Inglaterra, França e Argélia) fala da inevitável intersecção entre dois mundos tão diferentes e ao mesmo tempo tão interdependentes: o mundo do colonizador branco europeu e o do colonizado oprimido, seja ele de que origem for. E a mensagem de que nada terá solução se não houver, mais que tolerância, cooperação.

    As duas rápidas cenas finais (não, não vamos contar o fim) são de notável concisão cinematográfica: Ousmane deixando morrer aquilo pelo qual sempre lutou, e Elisabeth arando com ódio a terra que sempre amou. Ambos com seus corações indelevelmente marcados pela violência.

    Um dos melhores filmes do ano.

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