Pôster de Longwave - Nas Ondas da Revolução

LONGWAVE - NAS ONDAS DA REVOLUÇÃO

(Les grandes ondes)

2013 , 85 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 01/05/2014

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Lionel Baier

    Equipe técnica

    Roteiro: Julien Bouissoux, Lionel Baier

    Produção: Max Karli, Pauline Gygax

    Fotografia: Patrick Lindenmaier

    Estúdio: Bande a Part Films, Les Films Pelléas, Rita Productions

    Montador: Pauline Gaillard

    Distribuidora: Pandora Filmes

    Elenco

    Adrien Barazzone, Francisco Belard, Jean-Stéphane Bron, Michel Vuillermoz, Patricia André, Patrick Lapp, Paul Riniker, Valérie Donzelli

  • Crítica

    28/04/2014 09h00

    Personagens caricatos numa tentativa de comédia - esse já é um lugar comum em produções em busca de risadas. Em Longwave - Nas Ondas Da Revolução, uma jornalista feminista, um repóter de guerra, um motorista e um jovem tradutor se aventuram para fazer uma reportagem aparentemente comum. Ao menos, aqui há um detalhe que torna o mote interessante: eles vão dar de cara com a Revolução dos Cravos.

    Julie apresenta um talkshow e deseja ir além na profissão. Personifica a imagem de feminista e entrará num embate com Cauvin, repórter que passou pela guerra e ficou marcado por ela. Obviamente, haverá uma tensão sexual entre os dois. Para completar o grupo, o motorista bem-humorado Bob embarca no mesmo projeto da Rádio Suiça, para a qual os enviados vão fazer uma matéria sobre o investimento do país em Portugal. Lá, encontram o jovem tradutor Pelé.

    Como bem traduz o título do longa de Lionel Baier, o grupo será contaminado pela onda da revolução. Já em terras portuguesas, ficam sabendo das notícias e rumam para Lisboa. Alguns momentos são bem bolados para uma comédia política, a exemplo de quando Julie tenta parar um tanque do exército numa lembrança da clássica imagem na praça da Paz Celestial.

    A tentativa de recriar a atmosfera dos anos 70 oscila entre o humor e o ridículo, talvez justamente por se apoiar em caricaturas. Nas cenas que denotam a liberdade sexual, desde uma longa passagem de dança até as conversas sobre a noite anterior, tudo guarda uma aura meio conservadora: alguém ainda se choca ao ouvir falar de um ménage à trois? Aí está uma dificuldade em fazer graça com outras gerações: às vezes não funciona para os dias atuais.

    Entretanto, quando mantém o foco mais afiado na política, Longwave acerta. Uma cena engraçada e de conteúdo acontece no discurso de Cauvin num bar, na noite antecedente à revolução. Tenta se expressar em português, mas não consegue. E, mesmo assim, falando um monte de besteira, cativa a todos com sua empolgação. As palavras já tinham deixado de ter poder: o que aconteceria estava além delas, fluindo em ritmo próprio. 

    Esse personagem traz outro detalhe interessante que dialoga com uma camada mais sutil do longa. Carrega um gravador para não esquecer de nada, faz um registro de cada dia, cada detalhe, cada sensação. E a memória de uma revolução do nível de 25 de abril de 1974 não é pouca coisa. A resolução de Julie de pintar a van do grupo em meio à emoção do momento também se mostra interessante. Eles estavam na hora e no lugar certo, não podiam simplesmente ficar alheios a esse movimento. Às vezes não há opção.

    Entre momentos caricatos e a busca pelo que permanece de um momento (e de uma década), Longwave não arranca muitas risadas; mas relembra, de forma singela, uma passagem importante da história de Portugal com todas as incertezas inerentes a mudança.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus